Mais uma vez, Moura se defende de acusações
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quinta-feira, 13 de outubro de 2005
Claudio Yuge<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O ''mar de lama'' no Campeonato Paranaense parece não ter fim. Pelo menos é o que apontam as denúncias. Desta vez, a ''máfia do apito'' teria contaminado a Série Ouro de 2000, em partida entre Operário de Ponta Grossa e Prudentópolis. O árbitro José Francisco de Oliveira, o Cidão, revelou que houve tentativa de ''compra de resultados'', em negociação entre o presidente do Operário na época, Antônio Luiz Mikulis, e o presidente da Federação Paranaense de Futebol (FPF), Onaireves Moura. Ontem, Moura convocou uma entrevista coletiva para rebater as declarações de Cidão.
De acordo com entrevista concedida por Cidão para a ESPN Brasil, em Londres, onde mora atualmente, o árbitro disse que Moura e Mikulis negociaram, durante uma pescaria no Mato Grosso, uma ''ajuda'' ao Operário para se classificar para a segunda fase da competição.
Cidão disse que recebeu R$ 5 mil em cheque e a escala teria sido modificada como parte do esquema, que renderia R$ 50 mil para Moura. Assim, Cidão teria sido ''sorteado'' para apitar Operário x Prudentópolis, no dia 22 de abril de 2000. A partida terminou empatada em um gol e o Operário precisou disputar o quadrangular para evitar o rebaixamento.
O cheque de R$ 5 mil, não descontado, e a escala original, rasurada por causa da suposta modificação de árbitros sorteados, seriam as provas documentais que Cidão promete trazer para o Brasil, em breve.
O presidente da FPF, Onaireves Moura, acompanhado do presidente da Comissão de Arbitragem na época, José Carlos Marcondes, negou qualquer participação no esquema revelado por Cidão e apresentou os registros de todas as partidas de 2000. As súmulas e as escalas de arbitragem confirmam as declarações de Moura e Marcondes, de que Cidão foi escalado após sorteio para o jogo entre Operário e Prude.
''A impressão que tenho é que ele está atirando para todos os lados. Ele está desesperado, não está pensando no que está falando. Se ele fez alguma proposta de acordo, a federação desconhece'', defendeu-se ontem Marcondes, que passou cinco anos à frente da Comissão de Arbitragem.
Moura confirmou que esteve com empresários durante pescaria no Mato Grosso, mas negou tratar de ''acerto'' para jogos do Paranaense. ''Estive com empresários de Ponta Grossa e Curitiba. E numa dessas ocasiões, ele (Mikulis) estava na pescaria. Mas nunca foi tratado nada.'' A Folha procurou o ex-presidente do Operário, Antônio Luiz Mikulis, mas, não conseguiu localizá-lo. Foram deixados recados, mas até o final da noite de ontem não houve retorno.
O presidente da FPF também disse que não entende a conduta de Cidão. ''Se tivesse 'rabo preso' com alguém, não o (Cidão) teria afastado do futebol (após o ''gol inexistente'' no jogo entre Atlético e Império do Futebol)'', disse. ''Nunca conversei com o Cidão, não tenho como avaliar a motivação dele. Mas acho que ele poderia ter falado isso quando foi afastado. Se está fazendo isso agora, deve estar fazendo a mando de alguém, não sei de quem''.
O presidente do Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) do Paraná, Bôrtolo Escorssim, vai pedir a fita de vídeo com a gravação da entrevista com Cidão e adiantou que um inquérito deve ser aberto nos próximos dias para investigar todas as denúncias ''pipocadas'' após o processo que culminou no recente julgamento sobre o caso.


