Mindelo, Cabo Verde, 22 (AE) - Os tripulantes do trimarã Bahia, que chegaram há dois dias, não estão mais sozinhos em Mindelo, na Ilha de São Vicente, Arquipélago de Cabo Verde. Hoje à noite, os quatro veleiros que efetivamente disputam a Regata do Descobrimento também chegaram ao final da segunda perna.
O primeiro a completar o percurso foi o português Mariposa, também o mais rápido na primeira perna, entre Lisboa e Funchal. Em segundo, atracou o Papa Léguas, que representa o Estado de Santa Catarina, seguido pelo Viva (Brasil) e pelo Marujo (Portugal). Os quatro vinham se mantendo nessa ordem desde terça-feira, com pequena diferença entre eles.
O veleiro Hozhoni, de Ari e Marcelo Jaensch e que tem a bordo os velejadores Betão Pandiani e Gui von Schmidt, também já estava em terra firme. Já o Corumii, que hoje estava a 100 milhas da chegada, deve chegar amanhã. O filho do comandante Luiz Alberto Ballarin, que se juntará à tripulação na terceira perna, entre Mindelo e Salvador (BA), trouxe uma fita adesiva de São Paulo para consertar a vela balão, que está rasgada.
O Fia, que largou atrasado devido a um problema no motor
deve chegar entre domingo e segunda-feira, em cima da hora para a largada da terceira perna, terça-feira. Hoje, segundo informou o comandante André Homem de Mello, estava na latitude 24º07 norte. Mindelo fica na latitude 17º norte.
Há exatos 500 anos, Pedro álvares Cabral, a caminho do Brasil, perdia a primeira de suas 13 embarcações. Às 8h do dia 23 de março de 1500, a nau comandada por Vasco de Ataíde sumiu nos arredores de Cabo Verde. E com ela sumiram seus 150 tripulantes, "comidos pelo mar", nas palavras do historiador português Jaime Cortesão.
Segundo escreveu Pero Vaz de Caminha, o navio desapareceu "sem que houvesse tempo forte ou contrário para poder ser". Num estudo publicado em 1975, o capitão-de-mar-e-guerra Max Justo Guedes sugere que a nau tenha naufragado após algum acidente, causado pelas nuvens de poeira do Saara que às vezes dificultam a navegação entre as ilhas de Cabo Verde - apesar de o arquipélago estar a cerca de 600 quilômetros da costa africana. Após dois dias de buscas infrutíferas, a esquadra seguiu viagem. Faltava um mês para avistarem o Monte Pascoal. Depois disso, mais quatro embarcações naufragariam no Cabo da Boa Esperança, no caminho para Calicute, na Índia.
Consta nos registros históricos que a armada de Cabral fez toda a viagem de Lisboa até o Brasil sem nenhuma parada. Mas os participantes da Regata do Descobrimento, que aos poucos vão chegando a Cabo Verde, terão o fim de semana para conhecer esse arquipélago de 4.033 km2, formado por 10 ilhas e cinco ilhéus de origem vulcânica e habitado por quase 202 mil pessoas.
A primeira referência que se faz a Cabo Verde é de 1460: ilhas desabitadas com aves estranhas e dificuldades climáticas (grandes secas) e geográficas (relevo irregular). Junte-se a isso a longa distância de Portugal: quase 1.500 milhas, ou 2.778 quilômetros - um longo caminho, considerando-se que na época só se podia chegar por mar.
E entende-se por que demorou 50 anos para os portugueses se interessarem por sua colonização. A partir do século XVI, Cabo Verde virou ponto estratégico de reabastecimento e descanso para os navegadores que buscavam a América, a áfrica e a Índia.

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