O êxodo dos jogadores londrinenses com destino ao futsal italiano parece não ter fim. O movimento iniciou lentamente em 2002, quando os primeiros atletas da cidade descobriram que poderiam jogar em qualquer clube italiano, bastando que tivessem dupla cidadania. O processo se intensificou nos últimos dois anos, quando as modestas equipes locais perderam a maioria dos jogadores no meio dos campeonatos.
Enquanto aqui os melhores atletas não ganhavam mais do que R$ 1,5 mil por mês, na Itália estão recebendo, nos times da Primeira Divisão, cerca de 2 mil euros de salário (quatro vezes mais), além de casa e carro na garagem. É o caso de Marcinho, que sagrou-se campeão da última temporada com o Perugia, e de Marcelo, que chegou aos playoffs de 2005 com a Lazio. Sonhando em trilhar o mesmo caminho da dupla, quatro garotos formados nas categorias de base do Iate Clube embarcam na próxima semana para tentar a sorte na Itália e na Espanha.
Dois deles são atletas do time do Colégio Londrinense, que disputa a Chave Prata do Paranaense: os fixo/alas Douglas Perassoli, 18 anos, e Diego Perotti, 20. O primeiro reforçará a Lazio e o segundo o Padova (time da Série A-2). O fixo Leandro Dionísio, o Canário, 21, jogará ao lado de Diego no Padova. E o último arrumou contrato com um time espanhol por ser goleiro. É Mário Gazolli, 18, que jogará no Benicarló, da divisão principal. ''A única coisa que sei é que Benicarló fica na região de Barcelona e que o time tem outro brasileiro, o Acidésio (pivô). Estou indo com a cara e coragem'', relatou.
Embora estejam treinando no Iate desde os 15 anos, Gazolli começou na AFML, e Diego e Canário na escolinha do Grêmio. Jogaram juntos a última Taça Paraná juvenil e alguns fizeram parte da seleção londrinense que foi campeã dos Jojup's em 2002 e vice em 2004. Eles foram observados por olheiros durante um torneio internacional que disputaram em São Paulo, em julho, e despertaram a atenção do empresário espanhol Javier Rebosio, que está levando o grupo.
Douglas e Diego estudavam Administração e Marketing na Unifil. ''Tivemos que desistir do curso. Mas como minha idéia é ficar na Itália uns dez anos, se der, faço faculdade por lá mesmo'', comentou Diego.

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