Colônia - Robinho chegou apreensivo e saiu aliviado do hospital. Às 10h40 de ontem, na Alemanha, o atacante desceu do carro da Fifa, a serviço da seleção brasileira, acompanhado pelos médicos José Luiz Runco e Rodrigo Lasmar, e entrou na Clínica Estadual de Colônia com a cara fechada. Mas o resultado da ressonância magnética a que fora submetido mudou-lhe a fisionomia. Às 12h10, o jogador deixou o local com um sorriso no rosto. Afinal, nenhuma lesão fora diagnosticada. O pequeno edema no músculo anterior da coxa direita o afastará do jogo contra Gana. Mas não do restante da Copa, como se temia.
''A idéia é prepará-lo para o jogo de sábado, caso o Brasil se classifique. Não dá para garantir a presença dele agora, mas as possibilidades são grandes'' afirmou Runco, acrescentando que o problema, se fosse antes da Copa, não provocaria o corte de Robinho.
Segundo o médico, o prazo médio para a recuperação de um edema muscular é de cinco dias. E, pela programação da comissão técnica, Robinho deverá voltar a treinar no campo amanhã. Até lá continuará fazendo tratamento intensivo na concentração com o fisioterapeuta Odir de Souza, que o acompanha desde sábado, quando ele sentiu a coxa. Antes de saber que nada grave havia acontecido, o atacante temeu ficar fora da Copa:
''Fiquei com medo quando senti o músculo esticando. Não conheço medicina e nunca tinha sentido uma lesão muscular. Depois, o doutor me tranquilizou, disse que era normal e que eu ficaria bom com o tratamento.''
A frustração por não enfrentar Gana, quando provavelmente seria titular, é evidente. Mesmo assim, o sentimento de Robinho era de alívio. Ele sabe que poderia ter sido bem pior. ''Infelizmente ficarei fora deste jogo, mas graças a Deus foi uma lesão leve. No próximo estarei à disposição para jogar ou ficar no banco'', afirmou o jogador. ''Mas ele só será liberado quando estiver sem dor'', ressaltou Runco.
Apesar de não garantir que Robinho seria titular contra Gana caso não sentisse a coxa, Parreira mostrou-se frustrado. Mas também não deixou de ter um olhar positivo diante da situação. ''Não preciso dizer que o Robinho é importante. Ele atuou nos três jogos e mostrou ser uma boa alternativa para ser titular ou entrar durante a partida. Felizmente não houve uma lesão mais séria'', disse o treinador.
Tão logo o atacante sentiu a coxa no sábado, iniciou-se o tratamento à base de gelo, dia e noite, de duas em duas horas. No domingo, incluiu-se a eletroterapia (terapia com aparelhos) para diminuir a dor local. Robinho também fez trabalhos na piscina para relaxar a musculatura. O tratamento será mantido até amanhã, quando o atacante será reavaliado. Além da possibilidade de fazer exercícios no campo, ele deve fazer trabalhos de musculação e na bicicleta ergométrica.
Apesar de ter apenas 22 anos, Robinho não quer esperar outra Copa do Mundo para brilhar na seleção: ''Não sei o que pode acontecer daqui a quatro anos. Graças a Deus estou nesta Copa e vou brigar ao máximo para ser campeão do mundo e conquistar meu espaço dentro da seleção'', disse Robinho, que, sem saber, proporcionou uma grande alegria ao alemão Bernd Buhlmann, de 51 anos. Ele está internado no mesmo hospital onde o atacante foi examinado e luta contra um tumor na cabeça. ''Estou muito feliz, consegui apertar a mão do Robinho'', comemorou Bernd, que cumprimentou o jogador quando ele saía do hospital.

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