Maior desafio dos ídolos é nunca perder a motivação5/Mar, 17:07 Por Paulo Guilherme São Paulo, 5 (AE) - Os cuidados com o corpo não são suficientes para um atleta perpetuar-se no esporte: a mente precisa acompanhar a evolução. Manter a motivação para treinar e competir em alto nível durante 20 anos de carreira é um desafio duríssimo para os atletas. Principalmente para quem já ficou rico, famoso e ganhou tudo o que disputou. Como explicar, por exemplo, a dedicação de Oscar Schmidt, o maior ídolo do basquete nacional, que religiosamente comparece aos treinos do Flamengo e é sempre um dos últimos a deixar a quadra? Oscar tem 1.425 jogos oficiais, já marcou 43.444 pontos na carreira, disputou cinco olimpíadas, é o maior cestinha da história dos Jogos Olímpicos, enfim, o que ainda pode faltar? "Quero ir muito mais longe e, quem, sabe, jogar até os 50 anos", afirma Oscar. "Meu sonho é um dia atuar ao lado do meu filho, Felipe, que está com 14 anos." Ele lembra que, nos últimos anos, o profissionalismo no basquete nacional evoluiu, os jogadores puderam dedicar-se somente ao esporte e todos passaram a ter um cuidado ainda maior com o preparo físico. Isso explica a presença de uma verdadeira seleção de 'quarentões' nas equipes do Campeonato Brasileiro, como Maury, Israel, Paulinho Vilas Boas, Pipoca, Cadum e Chuí. Gerações - No vôlei, os jogadores de maior nível técnico têm de saber administrar o desgaste de atuar pelo clube e pela seleção brasileira, que todos os anos tem uma temporada extenuante. O atacante Carlão é um dos raros exemplos de quem sobreviveu ao tempo. Aos 34 anos, Carlão já passou por três gerações de jogadores. Começou atuando com William, Montanaro, Bernard e Renan. Foi campeão olímpico em 1992 com Tande, Giovane, Marcelo Negrão e Maurício. Agora, é o capitão do time que conta com os jovens Nalbert, Giba e Gustavo. "Sempre tive cabeça boa e procuro acompanhar a nova geração" explica Carlão. "A energia deles me contagia e aumenta a minha vontade de continuar jogando." O atacante espera ajudar o Brasil a conquistar uma medalha olímpica em Sydney. Depois, vai pensar se continua ou não na seleção. Persistência - Se Carlão soube manter o alto rendimento ao longo de toda a carreira, o nadador Rogério Romero conseguiu chegar ao melhor da forma física e técnica com a maturidade. Especialista no nado de costas, Romero passou sete anos sem conseguir melhorar suas marcas. "É muito difícil para um atleta continuar treinando se os resultados não aparecem", conta Romero, que está na Flórida (EUA) fazendo a preparação para a Olimpíada. Ele procurou variar seu treinamento para sair da rotina, corrigiu alguns erros que cometia e, no ano passado, as marcas começaram a melhorar. Romero foi o brasileiro com melhor desempenho na última Copa do Mundo, ganhando 9 medalhas em 12 etapas da competição. É o quarto colocado no ranking mundial dos 200 metros, costas. Aos 30 anos, Rogério Romero é sempre um dos mais velhos a entrar na piscina. Ele não se importa com as brincadeiras e provocações dos outros nadadores. Sua melhor performance foi a oitava colocação nos 100 metros, costas, na Olimpíada de Seul, em 1988. Agora, 12 anos depois, o nadador tem ambições maiores: "Vou nadar com condições de alcançar o pódio".