Magoado, Peter coloca cargo à disposição
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sexta-feira, 31 de março de 2006
Thiago Mossini<br> Reportagem Local 
Era para ser apenas uma entrevista coletiva para a apresentação do balancete das contas dos dois primeiros meses da gestão de Peter Silva, mas o desabafo do presidente roubou a cena na tarde de ontem. Em meio a lágrimas, ele disparou: ''Se alguém quiser vir aqui e quiser ser presidente do Londrina, eu coloco o cargo à disposição. Não posso remar para frente e os outros remarem para trás''.
O choro do cartola deixou transparecer que ele está em seu limite. Apesar de faltarem ainda nove meses para 2006 acabar, a pressão sofrida por ele até agora já valeu pelo ano inteiro. Ele viu todos os seus projetos serem jogados na lata de lixo com as eliminações do time da Copa do Brasil e do Campeonato Paranaense e da consequente perda da vaga na Série C do Campeonato Brasileiro e da Copa do Brasil de 2007.
Com as perdas, as críticas foram inevitáveis. Ele absorveu tudo e serviu de escudo para o restante da diretoria. Até que não aguentou mais. A bronca, no entanto, não era somente contra a imprensa.
Segundo Peter, existem empresários, políticos, membros da imprensa e ex-dirigentes trabalhando contra o clube. E o principal alvo dos inimigos, de acordo com o presidente, é a Sercomtel. ''Estou preocupado com a força política. Tem uma ala da cidade que quer acabar com a parceria com a Sercomtel por questões políticas. Também vejo constantemente críticas pesadas contra a administração. Fico muito magoado'', confessou.
O desabafo do cartola lembrou uma cena recente, que não traz boas lembranças para o clube. Há dois anos, Carlos Alberto Garcia fazia discurso semelhante. O episódio acabou com o presidente renunciando e o time rebaixado para a Série C do Campeonato Brasileiro.
Números Desabafo à parte, Peter apresentou parte de um estudo feito a pedido dele pela Informídia, que mediu o retorno de mídia que o clube teve este ano. Apenas o mês de janeiro ficou pronto. Foram 534 reportagens em tevê e 173 matérias nos jornais, que geraram R$ 685.158,76 de retorno de mídia. O estudo também aponta o retorno que cada patrocinador teve. ''Isso mostra que a marca Londrina não está morta como muita gente queria'', alfinetou Peter, que citou a época em que o time estava na Série B. ''Em 2004, a exposição do time na Série B rendeu R$ 11,4 milhões para a Sercomtel. Mesmo sem calendário, o Londrina ainda é uma grande marca''.
Peter também apresentou o balancete dos dois primeiros meses de sua gestão. Em dezembro de 2005, o time arrecadou R$ 238.076,67 e gastou R$ 213.605,35. Em janeiro, as receitas foram de R$ 86.387,16 e os gastos de R$ 101.651,56.


