São Paulo - O técnico argentino Rubén Magnano completou no último domingo um ano à frente da seleção brasileira masculina de basquete. Dirigiu a equipe no Mundial de 2010 - no qual conseguiu o nono lugar - e, desde que voltou da Turquia, empreendeu viagens que poucos brasileiros já tiveram a oportunidade de realizar.
Responsável também por coordenar o trabalho de base, o argentino tem encarado quilômetros de estrada para saber, afinal, que tipo de basquete se joga por aqui. Para isso, não poupou esforços - muito embora pudesse ficar, no conforto da capital paulista, onde vive, analisando DVDs e relatórios.
De outubro a dezembro, Magnano esteve tanto no Rio Grande do Sul quanto no Acre, passando por Goiás e Minas Gerais. Viu competições nacionais, estaduais, escolares, com garotos das mais diferentes idades. Isso sem contar, claro, as partidas dos torneios adultos, como o NBB.
''(Nestas viagens) Encontrei muita coisa. Primeiro, queria conhecer os diferentes campeonatos das diferentes categorias, para ter uma visão mais clara do que está acontecendo'', explica o técnico, campeão olímpico com a Argentina nos Jogos de Atenas/2004, que fez questão de valorizar a experiência pessoal, a ponto de se esforçar no português. ''Pude bater um papo com dirigentes, presidentes, técnicos. Acredito que não pude fazer tudo que queria, porque o Brasil é muito grande. Mas assisti a muitos torneios e é possível fazer uma avaliação.''
Uma delas, para o pesar de uma nação olímpica, não é animadora. ''Proporcionalmente, teria que ser maior a quantidade de meninos que jogam basquete. Isso, claro, de acordo com o tamanho, a população do Brasil'', disse Magnano. ''Uma coisa que está bastante descuidada, ou pouco considerada, é o mini-basquete. Estou falando de meninos de 8, 9, 10 anos, que precisam fazer alguma movimentação, ter contato com o basquete, não sei se por meio das escolas ou dos clubes.''
Incansável, Magnano já tem outras paradas. Em fevereiro, muda para São Sebastião do Paraíso, no sul de Minas, onde serão instaladas as seleções de base do basquete masculino por um período de seis meses de treinamento. Depois, deve passar o mês de março entre Estados Unidos e Europa, conversando com os atletas que atuam nas principais ligas e, também, nas universidades americanas. ''É importante que eles sintam que a CBB está presente'', justificou.
Pelo visto, enquanto Magnano for mantido no comando, onde um jogador brasileiro de basquete estiver, o técnico argentino também estará.

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