Curitiba - Outra denúncia promete agitar ainda mais as investigações sobre a suposta manipulação de resultados na Série Prata do Campeonato Paranaense. Ontem, o presidente do Tribunal de Justiça Desportiva (TJD), Bôrtolo Escorssim, encaminhou abertura de inquérito para apurar declarações de um ex-jogador do Engenheiro Beltrão que confirmou o esquema de ''compra de jogos'' na temporada passada, quando a equipe garantiu acesso à Série Ouro deste ano.
O jogador, que foi titular em todas as partidas da equipe no ano passado, preferiu não ser identificado. Ele deu uma entrevista exclusiva a um jornal de Curitiba, explicando com minúcias como o esquema era operado.
De acordo com suas declarações, a vaga para o hexagonal da Série Prata de 2004 foi conquistada por méritos do Engenheiro Beltrão, no entanto, a partir da etapa decisiva, o presidente do clube, Luiz Heitor Linhares, teria combinado o ''acerto'' com os ex-presidente e ex-vice-presidente da Comissão de Arbitragem, Valdir de Souza e Antônio Carvalho, respectivamente. Ambos foram citados recentemente pelo árbitro Evandro Rogério Roman no caso da ''máfia do apito'' no Estado e são réus no julgamento que deve acontecer no próximo dia 10.
O atleta ainda confirmou a participação de outros réus que irão a julgamento no dia 10, como os árbitros Carlos Jack Rodrigues Magno, José Francisco de Oliveira (Cidão), Marcos Tadeu da Silva Mafra e Sandro César da Rocha, todos também denunciados por Roman recentemente.
De acordo com as afirmações do jogador, a equipe já sabia da escala de árbitros com antecedência e até mesmo os adversários dentro de campo esbravejavam sobre a ''coincidência'' da escolha de um mesmo grupo de apitadores nos jogos do Engenheiro Beltrão, o que chegava a causar constrangimento para o elenco. Ele disse também que Linhares estava sempre em contato com os envolvidos no esquema.
Escorssim afirmou que não vai anexar o caso ao já encaminhado julgamento dos 13 indiciados sobre a ''máfia do apito'' e vai abrir um outro inquérito para não ''tumultuar'' o que está em andamento. ''Vamos apurar o fato, solicitei à FPF as escalas de árbitros de todos os jogos e a lista de jogadores de todas as partidas da Série Prata do ano passado'', adiantou.
Sobre o caso que vai à julgamento no dia 10, Escorssim falou que, até o final da tarde de ontem, somente Gilson César Pacheco, ex-dirigente do Marechal Cândido Rondon, havia encaminhado sua defesa. Os 13 indiciados tinham até as 19h30 de ontem para apresentar defesa, que é facultativa.
Defesa Linhares rebateu ontem as acusações feitas pelo ex-jogador entrevistado pelo jornal curitibano e garantiu intervir judicialmente, caso necessário. ''A entrevista estava toda montadinha, com perguntas e respostas, mas sem prova. Pra começar, nem sei se existe esse jogador'', declarou.
O presidente do Engenheiro Beltrão sugeriu conexão entre Roman e algum grupo interessado em colocar o clube como ''bode expiatório''. ''Dizem que a arbitragem está podre há dez anos, estou no futebol há um ano e meio. Se a gente fosse forte como dizem, não estaríamos rebaixados para a Série Prata'', refletiu.

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