MÁFIA DO APITO - Onaireves e Amoreti trocam acusações
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quarta-feira, 26 de outubro de 2005
Claudio Yuge<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O ex-presidente do Operário de Ponta Grossa, Antônio Mikulis, convocado pelo Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) do Paraná para prestar esclarecimentos sobre denúncias no segundo inquérito do ''Caso Bruxo'', não compareceu à audiência marcada para a tarde de ontem. E o que ainda ecoa nos corredores da Federação Paranaense de Futebol (FPF) são as declarações do presidente Onaireves Rolim de Moura em seu depoimento da terça-feira. O dirigente não só denominou o ex-árbitro Amoreti Carlos da Cruz como um dos ''bruxos'', operadores do esquema de corrupção na arbitragem paranaense, como também passa a trocar acusações com Amoreti.
Mikulis e Onaireves são denuciados pelo árbitro José Francisco de Oliveira, o Cidão, por negociar resultados da partida entre Operário e Prudentópolis, disputada na Série Ouro do Paranaense de 2000. No depoimento de terça-feira, Onaireves negou ter manipulado a arbitragem e usou como argumento o rebaixamento do time de Ponta Grossa.
Depois de falar sobre o assunto, Onaireves admitiu ter conhecimento da negociação de resultados entre o ex-presidente da comissão de arbitragem, Fernando Luiz Homann e Amoreti Carlos da Cruz, que, com a escala antecipada, negociava com os clubes e apitadores, como alega ter acontecido no Atletiba decisivo da final do Paranaense do ano passado. Onaireves diz ter afastado Homann devido ao ocorrido e adiantou ainda a existência de mais outros dois ''bruxos'', um da Capital e outro do interior, mas somente vai revelar os nomes diante da Justiça Comum.
Amoreti disse ontem que não fez parte desse esquema, e orientado pelos advogados, vai falar somente no TJD, quando depor sobre a denúncia. Ele limitou-se a atacar Onaireves. ''Ele está tentando de todas as formas salvar o parceiro dele (Johelson Pissaia, diretor-administrativo da FPF). Eles são os 'bruxos' e querem colocar a culpa nos outros para salvarem a pele.'' Tanto Pissaia como Amoreti foram condenados no segundo julgamento do primeiro inquérito do caso.
Hoje, o auditor Paulo César Gradella Filho, que preside o processo, deve ouvir o ex-presidente da Comissão de Arbitragem em 2000, José Carlos Marcondes. Gradella Filho confirma que há indícios da participação indireta de Moura, por omissão, e reconvocou Mikulis, assim como vai chamar Amoreti, para tentar encontrar provas. ''Há indícios mas o TJD precisa de mais elementos. Estamos buscando provas para comprovar as irregularidades'', comentou ontem à tarde.


