Elas geralmente ficavam só na torcida pelos filhos, que treinam na Academia de Futebol São Caetano, em Londrina. Mas há pouco tempo o grupo de mães resolveu também ir para o campo atrás da bola. O desafio, foi feito pelo coordenador da academia, Felipe Rodrigues Veloso. ''Eu e uma das mães estávamos conversando e tivemos essa ideia. É importante para a socialização entre elas'', afirma Veloso.
No começo, o assunto era mais como uma brincadeira nas redes sociais, mas logo a ideia passou para a prática. Foram formadas quatro equipes - Dondocas Futebol Clube, Mães Nota 10, Mães Coruja e União das Mulheres Boas de Bola, que ontem deram início a um torneio interno.
A competição terá cerca de um mês de duração, já que todos os times irão enfrentar-se entre si. Como a maioria das mulheres tinha pouca intimidade com a bola, foram necessários alguns treinos na semana anterior. ''Estamos levando a sério e os filhos estão bem empolgados'', afirmou Edileusa Rodrigues, atacante do time das Dondocas.
E durante a preparação não foram apenas os treinadores da academia que orientaram as jogadoras. Os filhos também repassaram um pouco dos ensinamentos que aprenderam na escolinha de futebol. ''Eu falei para ela ter mais jogo de corpo'', conta Gabriel Chiareli, de 9 anos, que vem dando as dicas para a mãe Elzira.
Ela conta unca havia jogado futebol e que agora tem se interessado mais pelo esporte. ''Tenho assistido mais jogos com meu marido. Ele me chama pra assistir para que eu possa, quem sabe, aprender alguma coisa'', declara a jogadora da equipe Mães Nota 10.
Na hora que as mulheres entram em campo o futebol pode não ser da melhor qualidade, mas nem por isso deixa de empolgar a torcida, formada, em sua maioria, por maridos e filhos. ''Acho muito legal para o convívio das pessoas da escolinha. Só que agora não sei quem meu filho puxou, pois joga bem, já a mãe não e eu muito menos'', brinca Fábio Liberal, marido de uma das jogadoras.
Outro marido na torcida era Romão Batista Gonçalves. Ele conta que depois que a esposa Simone Gonçalves passou a jogar futebol, cada um tem o seu dia de ''pelada''. ''Ela joga durante a semana e eu mais domingo à tarde. Agora não pode ter mais briga por causa da pelada com os amigos, cada um tem a sua''.
Além da socialização entre as famílias dos garotos que treinam futebol, o campeonato tem um lado social importante. ''Cada jogadora teve que trazer um pacote de fralda geriátrica. Vai ser tudo doado para o Hospital do Câncer e para a entidade Toca de Assis'', explica Veloso.

mockup