Mães não deixam a bola cair
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sábado, 30 de junho de 2007
Jaime Kaster<br> Reportagem Local 
Não faltam em Londrina peladas e rachões para os atletas de fim de semana que gostam de correr atrás de uma bola. Espalhados pelos clubes, chácaras, quadras e campos de futebol dos bairros não é difícil encontrar marmanjos de todas as idades praticando o esporte preferido dos brasileiros.
Porém, para as mulheres a coisa não é bem assim. A maioria das que gostam de praticar esporte se queixa da falta de turmas para jogar e se descontrair, seja vôlei, basquete ou outra modalidade coletiva. As opções geralmente acabam se restringindo às atividades individuais, como academia, caminhada, pedalada ou natação. Tem ainda o tênis, que é um bom aliado para manutenção da forma física, mas não é acessível a todas as faixas de renda.
Diante desse cenário pouco animador, qualquer turma feminina que se reúna duas vezes por semana para jogar acaba se tornando uma raridade na cidade. Mais ainda se essa turma for formada por mulheres casadas, com filhos e algumas delas com mais de 50 anos.
Estamos falando do ''Grupo de Vôlei das Mães do Marista'', que existe desde 1991 e se reúne todas as terças e quintas-feiras à noite no ginásio do colégio. Lisete Oliveira, 57 anos, é a matriarca dessa turma que, ao pisar na quadra, deixa para trás todas as preocupações e os filhos para se entregar ao prazer de um bom jogo de vôlei.
Lisete, que já é avó, não deixou a idade abater sua paixão pelo vôlei, que surgiu quando ela ainda era criança, no Rio Grande do Sul. A vovó da turma conta que jogou até se casar e retomou o esporte já na categoria veteranas, quando morava em São Paulo. ''Lá (na capital paulista) são muitas as opções para o pessoal mais velho que gosta de jogar. Até hoje existem muitos times de veteranas'', relata.
Quando sua família se mudou para Londrina ela passou a sentir falta das partidas de vôlei, só retomadas anos depois, após a realização de uma gincana com os pais dos alunos do Marista. Na época ela tinha dois filhos matriculados na escola. Hoje estão com 32 e 30 anos.
''Lembro que aquela gincana foi em 1991 e fazia anos que não jogava. Brincamos naquela confraternização e decidi chamar a mulherada para formar um time de vôlei. Começou meio devagar, com um monte de gente que não sabia jogar, mas não desistimos e estamos aí até hoje'', empolga-se Lisete.
Uma das que não tinha qualquer noção de jogo e foi aprendendo com as amigas foi Nanci Fernandes, 46 anos: ''Quando era nova eu só havia jogado basquete e depois de casada não peguei mais numa bola, pois vieram os filhos... Você sabe como é, né?'', partilha ela. Nanci diz que só veio pisar numa quadra de novo 15 anos depois, convidada pelas outras mães do colégio. ''No começo eu atrapalhava o jogo delas, mas me incentivaram a continuar. Hoje já jogo legal'', orgulha-se ela, que está no grupo desde 1992.
Nanci recorda de uma cena que marcou o grupo das mães durante os primeiros anos. ''No começo, vínhamos à quadra porque tínhamos que acompanhar as atividades das crianças após a aula. Um dia, vendo as mães jogarem, entrei no grupo e não parei mais. Daí em diante, quem passou a esperar o término dos jogos foram eles. Lembro como se fosse hoje das crianças aí sentadinhas do lado de fora da quadra'', relembra Nanci.


