Enquanto no campo a garotada sua na busca para mostrar serviço e tentar seguir bem na trilha de ser um jogador de futebol, fora dele, um outro time joga junto com os garotos na Copa Brasil Sub-15, que está sendo realizada na região de Londrina. É a seleção dos pais dos futuros craques, que acompanham seus filhos onde quer que vão jogar.
Pais, mães, irmãos. Seja na arquibancada ou pendurado no alambrado, cada um acha um jeito de torcer e, mais do que isso, incentivar. Os pais vêm de todos os cantos. Não perdem um segundo sequer das partidas dos filhos.
Os mais exaltados escolhem o alambrado. Lá, gritam com o filho, com o amigo do filho, com o árbitro, com o auxiliar, com os meninos do outro time, enfim, gritam.
Mas há também os mais contidos, que preferem evitar exercer uma pressão sobre os garotos. Eles ficam comportados, na arquibancada, assistindo às partidas sem deixar que a emoção de ver o filho em campo fale mais do que a razão.
Mas um show à parte são as mães. Elas se juntam, colocam o uniforme do clube, pegam suas câmeras, suas sombrinhas para fugir do sol e partem para a torcida. ''Nós vamos para todos os jogos junto com os meninos. Aqui, estamos em sete pais e cinco mães'', afirmou Isabel Cristina Cervantes, que comandava o coro na torcida do Santos ontem, no Estádio José Garbelini, em Cambé. O time da Vila Belmiro encarou o Atlético Paranaense. Motivos para ela comemorar não faltaram. Seu filho, o atacante Vitor, foi o autor do gol da vitória santista por 2 a 1.
Ela e as outras mães, Leomar Ybon, Zenaide Anderghi, Lindalva Barbosa e Loreci Chera são profissionais autônomas, por isso, trabalham dobrado em alguns dias para garantir a folga durante os torneios e poderem acompanhar os garotos. ''É o apoio que a gente dá para os nossos filhos'', afirmou Leomar. ''Eles estão lá dentro (do campo) e nós na torcida por eles. A gente aproveita para se divertir. Na hora do gol a felicidade explode'', completou Lindalva.
Astro mirim
Uma delas, Loreci, em especial, já convive com um miniastro dentro de casa. Com a mítica 10 nas costas, o meia-atacante Jean Chera abriu o placar da partida. Mas nem precisava do gol para ser o mais assediado. O jogador é tido no Peixe como o principal nome da próxima geração dos meninos da Vila.
Jean desembarcou na Vila Belmiro aos 9 anos. Antes, ele fazia seus malabarismos com a bola na Adap, de Campo Mourão, que ainda não digeriu sua saída. Em Santos, ele é tratado de forma diferenciada em relação aos demais atletas de sua idade, assim como foi com Neymar. Especula-se que seus vencimentos sejam de cerca de R$ 30 mil, algo inimaginável para um garoto de 15 anos.
''É um orgulho imenso de vê-lo onde está por méritos dele mesmo'', diz a mãe coruja. Ele leva na boa e a gente está sempre por perto para dar apoio. É pesado, é muita responsabilidade para ele'', completou.
Ao final do jogo, enquanto os outros meninos foram para o vestiário, ele foi cercado por gente de todas as idades. Queriam autógrafo, fotos, um contato. Ele leva na boa. Atende a todos. ''Fico feliz e agradeço a Deus, aos companheiros e à comissão técnica por ter chegado até aqui'', diz, sem esconder que quer seguir os passos do amigo Neymar. ''Ele, o Ganso, saíram da base. Vou trabalhar muito para poder chegar onde eles chegaram''.
Apesar da pouca idade, sabe lider direitinho com o assédio. ''É legal. A gente fica feliz e é bom eu ir me acostumando, porque lá na frente vai ser muito maior'', projetou, sem falsa modéstia, o meia que já sonha com a Copa de 2014.

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