São Paulo - A mãe da ex-ginasta e agora esquiadora Lais Souza, Odete Vieira da Silva Souza, de 54 anos, disse que não consegue dormir e nem comer desde a noite de segunda-feira, quando recebeu a notícia do acidente de sua filha em Salt Lake City, nos Estados Unidos.
A atleta, que aguardava a classificação na modalidade de esqui aéreo para os Jogos Olímpicos de Inverno, se acidentou enquanto esquiava livremente em Park City com o técnico canadense Ryan Snow.
Logo após o acidente, Lais foi removida para o Hospital da Universidade de Utah, onde foi submetida a uma cirurgia na coluna cervical. De acordo com o primeiro boletim médico divulgado pelo hospital, a ex-ginasta respirava com auxílio de ventilação mecânica e não podia mover seus braços e pernas. Ontem à tarde, no entanto, Josi Santos, companheira de treinos de Lais, disse que a ex-ginasta respondeu aos estímulos dos médicos e mexeu o braço. Até o fechamento desta edição, os médicos não haviam confirmado essa informação.
"É uma angústia muito grande. Nunca imaginava passar por uma situação desta. É uma angústia, uma dor que não tem explicação. É muito difícil. Não estou conseguindo dormir e nem comer", disse Odete, que embarcaria ontem à noite para os EUA acompanhada da fisioterapeuta Denise Lessio.
Lais Souza, de 25 anos, começou a praticar o esqui aéreo há aproximadamente oito meses. Ela e Josi Santos receberam o convite da Confederação Brasileira de Desportos na Neve para conhecer a modalidade.
"Apoiamos a decisão dela competir no esqui aéreo. Todas as profissões e esportes têm riscos. Na ginástica também existia risco. Ela estava indo muito bem, evoluindo, mas aconteceu esse acidente", disse Odete.
Lais está sendo cuidada pelos médicos Holly Ledyard, neurointensivista, e Andrew Dailey, neurocirurgião, ambos da Universidade de Utah, e tem o acompanhamento do médico do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Antonio Marttos.
"Lais terá uma longa recuperação à sua frente. Neste momento, não podemos prever como será seu prognóstico em longo prazo. Ela está recebendo cuidados médicos excelentes e sua equipe médica está fazendo tudo para que ela tenha a melhor recuperação possível", disse Marttos, que adiantou a necessidade de outras cirurgias serem realizadas para evitar novos problemas. Ela deve passar por uma traqueostomia e colocar um tubo no estômago para se alimentar.
"Possivelmente, ela precisará de outros procedimentos cirúrgicos para ser pró-ativo e prevenir outros problemas. Fazer uma traqueostomia para prevenir uma infecção pulmonar, um tubo para alimentação diretamente no estômago, para evitar sinusite, outros tipos de infecções", acrescentou Marttos. (Com Agência Estado)

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