Mãe de Cristiano diz que houve agressão
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terça-feira, 07 de dezembro de 2004
Vannildo Mendes<br> Agência Estado 
Brasília - A família do jogador Cristiano Júnior, morto numa partida de futebol no último domingo, na cidade indiana de Bangalore, aguarda o resultado da autópsia para decidir que providência legal adotar e contra quem. A mãe do jogador, Maria Jaci Ferreira Nunes, 52 anos, informou ontem que pretende dar ao episódio um caráter exemplar. ''Quero fazer a coisa certa. É preciso questionar se pessoas agressivas devem jogar. Futebol é um esporte, não é um matadouro'', disse.
Depois de assistir algumas vezes ao teipe com as cenas do incidente com o goleiro Subrata Pal, do time adversário, ela está convencida que houve agressão e espera a vinda da nora, Juliana, para discutirem juntas a melhor forma de exigir justiça. ''Vou tomar providências para evitar que outras mães chorem a morte prematura do seu filho. Não há indenização que supere a perda de um filho. Quero usar esse caso como exemplo para ajudar a acabar com essa violência estúpida nos campos'', observou.
Em princípio, o alvo da ação é o goleiro Subrata e o time dele, Mohun Bagan. As providências para o traslado do corpo do jogador estão sendo tomadas pelos governos brasileiro e indiano, com a intermediação da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). O enterro deverá ocorrer na quinta ou sexta-feira, no cemitério da cidade satélite de Taguatinga (DF).
Emocionada e ainda incrédula com a morte trágica do filho, dona Jaci contou que desde a morte de Serginho, do São Caetano, há pouco mais de um mês, ela se sentia angustiada com a profissão do filho. Ela o obrigou a fazer uma bateria de exames.
Na sexta-feira, como sempre fazia às vésperas de uma partida, Cristiano telefonou para a mãe pela última vez e, após ouvir as recomendações de sempre, a pretexto do caso Serginho, ele deu o seguinte depoimento, na narração dela: ''Não se preocupe, mãe. Não tenho problemas de coração. Não fique assim. O que aconteceu ao Serginho, pode acontecer a qualquer um, mas não vai acontecer comigo. Eu não estou doente. Fiz todos os exames''.
Com a morte do pai, há 13 anos, a situação financeira da família agravou-se e dona Jaci viu-se obrigada a trabalhar como diarista para criar os filhos. Os mais velhos Vanessa, 30, e Lynce, 28, graduaram-se em curso superior na disputada Universidade de Brasília (UnB). Também estudioso, Cristiano chegou a cursar o primeiro semestre de Fisioterapia, na Universidade Estácio de Sá, no Rio, mas os treinamentos intensos do Vasco e as constantes viagens o fizeram largar a faculdade.
Financeiramente, a família não é rica, mas é independente e não dependia de Cristiano para sobreviver. Ele teve boas passagens também pelo Olaria, América de Natal, Sampaio Correia-MA e Criciúma. Na Índia, Cristiano teve uma temporada em Calcutá, antes de ir para Goa. Antes, passou pela Tunísia e foi aprovado em testes no Benfica, em Portugal, mas não houve acerto financeiro.
Cristiano, conforme a mãe, vivia um momento feliz. Artilheiro do campeonato indiano, situação financeira estável, ele estava morando numa cidade agradável, Goa, em meio a uma população de língua portuguesa e estava investindo num apartamento em que pretendia morar após a aposentadoria, na cidade de Pará de Minas.
Evangélico fervoroso, pensava em ter um filho brevemente e planejava largar o futebol cedo, no máximo aos 32 anos, para cuidar da família e levar uma vida pacata no Brasil. Seu sonho mais imediato era retornar ao Brasil assim que pudesse e tentar espaço no Cruzeiro, time do seu coração.


