Mãe da volante paranaense Thaisa quer revanche contra a Austrália
Brasileiras fazem segunda partida na Copa do Mundo feminina contra rivais que as eliminaram no Mundial do Canadá
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quinta-feira, 13 de junho de 2019
Brasileiras fazem segunda partida na Copa do Mundo feminina contra rivais que as eliminaram no Mundial do Canadá
Vítor Ogawa e Isabela Fleischmann/Reportagem Local 

Além de uma réplica da torre Eiffel, Umuarama tem este mês outra conexão com a França. A volante do Milan e da seleção brasileira Thaisa Moreno, que foi revelada para a carreira esportiva na Capital da Amizade (nasceu na vizinha Xambrê), está disputando a edição da Copa do Mundo de futebol feminino na terra da Marselhesa. A mãe da atleta, Gizele Moreno, afirma que sua filha nunca foi retratada diante da réplica da torre Eiffel do Noroeste paranaense. “Mas tirou uma foto em frente à torre Eiffel original”, diz, orgulhosa.
Professora de história, Gizele Moreno ressalta que a partida contra a Austrália, segundo jogo da seleção no Mundial, nesta quinta-feira (13), às 13 horas (de Brasília), em Montpellier, será uma revanche. “Esta é a segunda Copa da Thaisa. Na primeira, disputada no Canadá (2015), foi a Austrália que tirou o Brasil, embora a seleção brasileira estivesse jogando muito melhor. Esse jogo contra a Austrália nesta Copa será um ponto de honra. Acredito que elas vencem. Confio nelas”, declara.
A professora relata que tem tido dificuldades para acompanhar os jogos desta Copa do Mundo. “Como eu trabalho na escola, não posso deixar meus alunos para assistir à partida. Nesta quinta-feira, quando o Brasil jogar contra a Austrália, não tenho aula, mas na terça-feira (18), quando a seleção enfrentar a Itália, vou ter que implorar para o meu diretor para assistir pelo menos ao primeiro tempo, para dar tempo de ir para casa assistir ao segundo”, destaca a professora.
Sobre o jogo contra a Itália, ela afirma que sua filha joga no Milan com jogadoras que estão na seleção italiana. “São amigas mesmo. Elas sabem bem como a Thaisa joga e vão usar isso para jogar contra o Brasil. Ao mesmo tempo, a Thaisa sabe como elas jogam”, aponta.
“Não podemos esquecer que ela é a paranaense na seleção”, destaca a mãe. Ela conta que Thaisa começou a jogar bola quando tinha três anos, na garagem da casa dela. “O irmão dela, o Vinícius, que é um ano mais velho, a chamava para jogar bola com o primo dela, o Hudson. No começo, eles só deixavam ela ficar como goleira. As crianças usavam uma mesa de passar roupa como trave. Com o tempo, ela quis jogar na linha também, e passaram a revezar no gol”, lembra.
Com o tempo, Thaisa passou a jogar futsal e atuou pelas equipes de Altônia, Cianorte e Chapecó. A mudança para o futebol de campo aconteceu quando ela foi jogar nos Estados Unidos por dois anos, na Califórnia, defendendo o time universitário Golden Panthers. Jogou por Foz, Ferroviária de Araraquara, Corinthians/Audax, Tyresö FF (Suécia), 3B da Amazônia, Sky Blue (EUA) e Milan. Defende a seleção desde 2013.
Empresas dão visibilidade ao futebol feminino
A Copa do Mundo de futebol feminino começou para o Brasil no domingo (9), com inédita transmissão em TV aberta. O torneio feminino acontece concomitantemente à Copa América masculina, essa, disputada em casa. Para dar visibilidade ao futebol feminino – que era proibido no Brasil até 40 anos atrás -, algumas empresas estão realizando ações para incentivar os funcionários a acompanhar as partidas das mulheres.
É o caso do Grupo Boticário, que decidiu paralisar as atividades da fábrica e escritórios no horário de jogos do Brasil. O grupo promoveu um site com a campanha “Com Você Eu Jogo Melhor”; 64 empresas aderiram ao movimento.
Em Londrina, as empresas não vão parar. Mas a Unimed realizará atividades para incentivar os funcionários a acompanhar os jogos. As partidas poderão ser assistidas em computadores ou televisores disponíveis nas salas, como explica a gerente de marketing e comunicação da Unimed Londrina, Dayane Santana. “Não tem como deixar de apoiar e estimular o futebol feminino. Enfeitamos a cooperativa com tema da Copa, colocamos nas geladeiras de cada andar adesivos com curiosidades, dicas e horários dos jogos. Nos dias de jogo, estimulamos que os colaboradores assistam. Não vamos parar o atendimento, mas não vamos proibir que eles acompanhem nossas meninas”, afirma.
As televisões nas áreas para clientes também serão sintonizadas na transmissão das partidas do Brasil e a Unimed ainda distribuirá pipocas para o público interno e funcionários na hora do jogo. “Só não vamos parar 100% o expediente como foi feito na Copa masculina porque não tivemos tanto movimento por parte das empresas aqui”, explica. Santana ressalta que 70% dos funcionários da empresa são mulheres, sendo 55% da gerência. “Aderimos em 2018 aos Princípios de Empoderamento da Mulher, iniciativa da ONU (Organização das Nações Unidas) e do Pacto Global e nos comprometemos a oferecer condições igualitárias e políticas que estimulem a igualdade de gênero.”
Esta é a primeira vez que as jogadoras da seleção brasileira têm um uniforme exclusivo. A Nike, patrocinadora do time, produziu a nova camisa com o selo “Mulheres Guerreiras do Brasil”. Nos últimos dias, a empresa lançou um comercial enfatizando a representatividade feminina no campo. Já a Adidas, além de produzir uniforme especial para os times que patrocina, como a Alemanha, decidiu igualar o prêmio oferecido às seleções masculinas.
Em abril, a Panini lançou o primeiro álbum de figurinhas de jogadoras. Em maio, o Guaraná Antarctica iniciou uma campanha para incentivar outras empresas a apoiar o futebol das mulheres.
Longo caminho para a igualdade
Embora largos passos já tenham sido dados em direção a uma maior igualdade de gênero no futebol, ainda há desafios pela frente. Embora as escolas municipais e estaduais de Londrina tenham paralisado as aulas durante os horários de jogos do Brasil na Copa masculina do ano passado, este ano não há ações neste sentido. Contudo, as escolas têm autonomia para definir práticas pedagógicas de incentivo ao futebol feminino.
O maior imbróglio do futebol feminino está relacionado hoje aos investimentos. O que a Fifa paga às seleções participantes da Copa do Mundo feminina não chega a 1% do que foi para os homens em 2018. Com mais gols do que Pelé pela seleção e mais títulos individuais do que Cristiano Ronaldo e Messi, Marta é o exemplo mais nítido da desigualdade salarial no futebol.
Dos times do País, quem tem mais jogadoras na seleção que disputa o Mundial é o Corinthians: Letícia Izidoro e Mônica. É também um dos times que mais investem nas mulheres. Contudo, segundo a Folha de S.Paulo, a equipe feminina do Corinthians tem uma folha salarial mensal de R$ 170 mil, enquanto o time dos homens recebe cerca de R$ 10 milhões.
Mas uma nova fase pode estar adiante, esperança gerada por essa inédita visibilidade das partidas. Futebol feminino no Brasil é novidade. Até 1979, vigorava uma lei instituída no Estado Novo que proibia que mulheres praticassem modalidades esportivas “incompatíveis com a condição de sua natureza”. Em 65, um decreto especificou as modalidades, entre elas o futebol, a luta, o pólo, rúgbi, halterofilismo e o beisebol. Paralelamente, a seleção masculina brilhava, vencendo as Copas de 58, 62 e 70.
Devagar, a história muda. E teve mais uma parte escrita no domingo, pela volante Formiga, 41 anos. Recordista, ela estreou em sua sétima Copa do Mundo. Também escreve história Cristiane, que marcou os três gols nos 3 a 0 sobre a Jamaica.
Vadão faz mistério sobre Marta
Montpellier, França - O técnico Vadão fez mistério na tarde desta quarta-feira (12) sobre a escalação da atacante Marta na segunda partida da seleção na Copa da França, na quinta, contra a Austrália. Segundo ele, uma reunião na noite de quarta ou na manhã de quinta definiria a participação da atleta, que se recupera de uma lesão na coxa esquerda sofrida há cerca de três semanas, durante a preparação do time, em Portugal.
Depois de assistir do banco à vitória das companheiras contra a Jamaica, na rodada de abertura, Marta voltou a participar dos coletivos com o resto do grupo na terça (11), já em Montpellier (sul francês), local do segundo confronto.
“Ela tem respondido muito bem ao treinamento”, afirmou Vadão. “Estamos subindo os degraus com ela. Ela tem chance (de entrar)? Tem. Mas isso será resolvido em conjunto. Sempre haverá um risco, por causa do tempo curto de recuperação.”
A goleira Bárbara, que participou da entrevista ao lado de Vadão, disse que Marta “está com fome de bola, se sente 100%”. “Por ela, já tinha entrado no primeiro jogo.”
O treinador, que prevê um duelo de “alta intensidade” contra as australianas, que estrearam com derrota para as italianas, também não quis dar detalhes sobre a composição da equipe, caso Marta não volte a campo. “Treinamos alternativas ao esquema do primeiro jogo (com Debinha pela lateral e o duo Bia Zaneratto-Cristiane na frente), mas não vou dizer aqui quais.”
Sobre a preparação, Vadão acrescentou que o time treinou bastante nos últimos dias a saída de bola, já que a Austrália certamente não dará às zagueiras brasileiras o espaço concedido pela Jamaica.
O retrospecto recente da seleção contra a equipe da Oceania é francamente desfavorável. Depois de eliminar as australianas na Olimpíada do Rio (numa disputa de pênaltis que ajudou a tornar a goleira Bárbara conhecida do grande público), as brasileiras perderam quatro confrontos consecutivos, o primeiro deles por 6 a 1.
No último, em julho de 2018, o placar marcou 3 a 1 para as adversárias, que levaram vantagem também nas oitavas de final da Copa de 2015, quando mandaram a seleção brasileira de volta para casa. (Lucas Neves/Folhapress)


