Mãe comemora medalha de ouro de Romero
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quinta-feira, 14 de agosto de 2003
Claudio Yuge<br> Reportagem Local 
A tarde de ontem em Londrina foi chuvosa e cinzenta. Mas no lar de Odete Aoki Romero não teve tempo ruim. Tudo porque seu filho, Rogério Romero, repetiu quarta-feira o feito de 91, em Havana, e faturou a medalha de ouro na natação nos 200 metros costas dos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo.
Pra lá de contente com o resultado, ela ainda não falou com o filho depois da conquista. ''Falei para ele levar o celular mas ele preferiu não levar. Acho que preferiu ficar mais sossegado para competir. Ele também disse que está tendo dificuldades para ligar porque o local onde faz as ligações é muito congestionado'', explicou. A última vez que falou com Romero foi no domingo. ''Ele ligou para falar com o pai (devido ao Dia dos Pais) e já estava bastante confiante.''
De acordo com Odete, é comum os familiares evitarem perguntas sobre as competiçõesdo filho nos dias que antecedem suas provas. ''A gente sempre evita ficar perguntando para ele não se sentir cobrado. Sempre que nos falamos durante as competições nunca comentamos sobre as provas. A esposa dele, a Patrícia, foi quem falou que ele estava bem.'' Patrícia Silva, também nadadora, disputaria ontem em Santo Domingo a final feminina dos 100 m peito.
Romero já foi oito vezes campeão sul-americano e medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Havana, em 91, e de bronze no Pan de Mar del Plata, em 95. Além disso, o nadador também já participou das olimpíadas de Seul, Barcelona, Atlanta e Sidney. E mesmo com esse currículo invejável, a mãe faz questão de destacar que cada conquista traz uma sensação diferente, especialmente essa medalha de ouro em Santo Domingo.
''Dessa vez foi diferente porque ele já não tem mais a vitalidade de um garoto de 20 anos. Ele nadou com competidores que tinham a metade da idade dele'', exclamou. E a experiência parece ter sido o fator determinante para o resultado de quarta-feira.
Aos 33 anos (completa 34 em novembro), Romero aproveitou o conhecimento para superar seus próprios limites e os adversários. ''Ele conhece bem os adversários e tem a listagem dos tempos deles. (Rogério) Já tinha falado que os canadenses e os americanos seriam os mais fortes. Só tinha medo com os cubanos, que poderiam surpreender. Mas quando vi a prova eliminatória na manhã (quarta-feira), percebi que ele se poupou para a final. Ali eu já senti que ele ia trazer uma medalha'', revelou a mãe.
Acostumada com a carreira vitoriosa do filho, Odete disse que a comemoração foi discreta. ''Estávamos apenas eu, meu marido, meu outro filho e minha neta. Como um de nossos familiares morreu, preferimos não fazer nada tão grande'', explicou.
E agora a torcida da família é para que Romero confirme a vaga na Olimpíada de Atenas-2004. Se isso acontecer, o londrinense será o único nadador em todo o mundo a participar de cinco olimpíadas. ''Vamos aguardar para saber como o Rogério está porque ele ainda vai para Belo Horizonte, onde treina, antes de vir para Londrina. Mas eu tenho certeza que ele vai para Atenas'', disse a mãe, convicta.


