Faz apenas duas semanas que o pesquisador inglês James Clarke está em Londrina. Veio de Londres para a ‘‘Pequena Londres’’ para ver sua seleção perder de 2 a 1 para o Brasil. Tristeza para ele, felicidade para os milhares de brasileiros que passaram o dia todo comemorando a ida para as semifinais.
‘‘Minha cabeça está triste, mas eu gosto desta festa, desta alegria’’, disse o londrino em plena festa tupiniquim armada nos arredores de um bar que não poderia ter nome mais significativo: Brasil. Os novos amigos brasileiros de Clarke, é claro, não deixaram de cantar vitória ao lado do estrangeiro.
Se o jogo todo foi muito sofrido, bastou o apito final do juiz para a cidade virar festa em plena madrugada. Carros buzinando pra lá e pra cá, torcedores animados e muito verde-e-amarelo tomaram conta da avenida Higienópolis, ponto de encontro clássico dos torcedores. O mais desavisado poderia até achar que o Brasil tinha conquistado o tão sonhado pentacampeonato tamanha a alegria e o barulho na avenida.
Com o jogo começando às 3h30, muita gente preferiu nem dormir para não perder a hora. Melhor então foi sair para as ruas para não ter nenhuma cama ou sofá por perto. No recém-inaugurado bar The Wave, anunciava-se a presença do jogador Élber. Ele não apareceu, mas o público, pelo menos no primeiro tempo nervoso e com o gol do adversário, acabou nem sentindo falta. Talvez se ele estivesse lá no Japão...
No Empório Guimarães, os gols do Brasil eram mais do que esperados. Torcedores aflitos? Como todo brasileiro, sim, mas é que as rodadas grátis de chope a cada gol também eram um bom incentivo para um grito ainda mais emocionado. No intervalo do jogo, um bate-estaca comandado por um DJ são-paulino animou a pista de dança. Foi preciso avisar pelo microfone que o jogo havia começado. Por pouco não perdem o gol de empate de Rivaldo.
Cinquentenário, o Bar Brasil já foi ponto de encontro de torcedores em pelo menos 13 Copas. Nesses anos todos viu os quatro campeonatos conquistados pela seleção canarinho. Na vitória dessa madrugada, o público compareceu novamente, lotou os dois salões do bar e depois partiu para o abraço no meio da rua.
Passado o sufoco – ai, ai, Lúcio, salve salve Ronaldinho Gaúcho – do embate do rock com o samba, teve Carnaval fora de época na avenida Higienópolis. Tudo bem que a música que fala em ‘‘90 milhões em ação’’ está mais do que defasada. Mas às 6 da manhã e com uma vaga garantida na semifinal, a multidão na avenida não parecia se importar. Até a canção-tema de Ayrton Senna acabou tocando.
Ah, mas e os ingleses, coitados, que vão voltar para casa? Com um pouco de gel e muito bom-humor, os amigos Robson e Sérgio desfilavam com os cabelos moicanos. ‘‘É uma homenagem ao Beckham’’, brincavam. Nada como a alegria da vitória.

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