Madrid e Barcelona formam base do sucesso espanhol
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quinta-feira, 08 de julho de 2010
Almir Leite e Daniel Akstein Batista<br>Agência Estado 
Durban - A seleção da Espanha está a um passo de fazer história graças à união em campo de jogadores de dois ferrenhos e eternos rivais: Barcelona e Real Madrid. Os clubes cederam, juntos, 13 dos 23 jogadores escolhidos pelo técnico Vicente del Bosque para tentar o primeiro título mundial da ''Fúria''. Na última quarta-feira, na vitória por 1 a 0 sobre a Alemanha, do time que iniciou a partida apenas um atleta, o lateral-esquerdo Capdevila, não atua por uma dessas equipes. Ele defende o Villarreal.
Que Barcelona e Real Madrid são as duas potências do futebol espanhol - e também são grandes em nível mundial - não é novidade. No entanto, nunca tiveram participação tão decisiva na seleção como agora. O time madrilenho contribuiu com o goleiro Casillas, o lateral Sérgio Ramos e o volante Xabi Alonso, todos titulares, além dos reservas da defesa Albiol e Arbeloa.
O contingente dos catalães é ainda maior: oito atletas, considerando-se que o artilheiro Villa acaba de ser contratado do Valencia por 40 milhões de euros (cerca de R$ 90 milhões). Os outros são os zagueiros Piqué e Puyol, os meio-campistas Busquets, Iniesta e Xavi, além de Pedro, que começou jogando contra os alemães, e do goleiro reserva Victor Valdés.
O ''domínio'' da dupla é motivo de algumas cobranças a Del Bosque, principalmente de jornalistas de outras regiões da Espanha. O treinador se sente incomodado com o bairrismo, mas é diplomático ao tratar da questão. ''A Espanha não tem outros clubes com o poder de Barcelona e Real, mas de certa forma todos trabalham em prol da seleção. Inclusive clubes pequenos que contribuem anonimamente para que possamos fazer bom trabalho'', disse na quarta.
É uma resposta diplomática, claro. Mesmo porque vários dos jogadores que estão hoje na seleção foram formados nas categorias de base de Real Madrid e Barcelona - até mesmo o meia Fabregas, atualmente reserva, jogador do Arsenal, é cria do time catalão.
Separatismo
Mesmo com toda a união popular, ainda há, em torno da seleção espanhola, resquícios dos desejos separatistas que vigoram na Espanha. Depois do 1 a 0 sobre a Alemanha, por exemplo, um jornalista perguntou ao meia Xavi se ele dedicava a vitória ao povo catalão. ''Dedico a todos os espanhóis'', respondeu o jogador do Barcelona.
E alguns jornalistas que vieram no País Basco vira-e-mexe comentam que, para eles, o meio-campo Javier Martinez e o atacante Llorente, que jogam no Athletic Bilbao, poderiam ser mais bem aproveitados por Del Bosque.


