São Paulo, 12 (AE) - Depois de um início desastroso na Superliga Feminina de Vôlei, em que perdeu 8 dos 11 jogos disputados no primeiro turno, o Macaé/Petrobrás conseguiu encontrar o seu melhor jogo no returno da competição. A equipe, montada às vésperas do início do torneio, vem de três vitórias seguidas - duas das quais sobre favoritos ao título: 3 a 0 na Uniban/São Bernardo, campeã do turno, e 3 a 1 no Leites Nestlé, vice-campeão brasileiro.
O segredo na reviravolta da equipe é simples. Como ocorre comumente em times de futebol, o Macaé mudou a comissão técnica. Saiu Mauro Lima e entrou Airton Nascimento, vindo do Joinville, de Santa Catarina. A alteração foi fundamental para a reação do time, que está em sexto lugar no returno e em oitavo na classificação geral.
A reação ganha contorno mais importante ainda quando se sabe que a atacante Márcia Fu, a grande atração do time, está voltando de contusão. Ela sente dores no ombro direito, operado há um ano, e estava há três semanas sem jogar. Na vitória sobre o Leites Nestlé, por exemplo, na quarta-feira, em Macaé, ela só entrou a partir do segundo set.
O paulista Airton Nascimento, vice-campeão carioca com o Joinville, que participou como convidado especial do torneio, acha que as vitórias obtidas até agora servem principalmente para recuperar a auto-estima do grupo. "As jogadoras estavam desanimadas com a série de derrotas e as vitórias marcam o recomeço de um trabalho", acredita o treinador. "Vale muito também para o ego individual."
O treinador faz questão de dizer que seu trabalho é mais psicológico do que propriamente esportivo. "Nosso trabalho começou recentemente e a ainda não teve tempo de aparecer", lembra. "Mudou a motivação das atletas, que estão adquirindo uma preparação física melhor." Márcia Fu deve reforçar o grupo desde o início da próxima partida contra o Londrina, em Londrina. Mesmo assim, o treinador considera a classificação do time para a segunda fase muito difícil. "Não depende mais só da gente", comenta. "Dependemos também de outros resultados."
Fu, aos 29 anos, não se importa se as possibilidades de classificação são remotas. Para ela, o mais importante é o grupo fazer o melhor possível. "Estamos dando a volta por cima e mais animadas", afirma a atacante mineira, medalha de bronze com a seleção brasileira na Olimpíada de Atlanta, em 1996. "Vamos lutar mais porque estamos mais confiantes."
Com os salários pagos pela prefeitura de Macaé, Márcia Fu está entusiasmada com o apoio dos habitantes da cidade. "É comovente", resume a atacante. "Na partida contra o Leites Nestlé a administração do ginásio precisou fechar os portões para evitar problemas com a superlotação", prossegue. "Mais de 3 mil pessoas assistiram ao jogo."
Para Airton Nascimento, a torcida tem sido a sétima jogadora. "Ela dá um apoio muito importante", comenta. "A integração com a comunidade é fundamental para o investimento feito pela Petrobrás, que tem empresa em Macaé." Além de Márcia Fu, o time-base do Macaé conta com jogadoras experientes como Isabel, Edna e Ana Lúcia e atletas jovens como Flávia, Daniela e Andressa.

mockup