Má campanha pode acabar com a nova era Pelé no Santos
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quarta-feira, 13 de outubro de 1999
Por José Rodrigues 
Santos, 14 (AE) - O desastre não poderia ter sido maior: ser desclassificado pelo Corinthians, o maior rival, numa goleada em plena Vila Belmiro, quebrando um tabu de 13 anos, em que o Santos não perdia para este adversário em sua própria casa. Para o torcedor santista, o momento é de revolta, direcionada especialmente contra a diretoria.
Tanto que o jogo ainda não havia terminado e os torcedores deixavam as arquibancadas, seguindo em direção à entrada social do estádio, numa tentativa de chegar aos diretores, que assistiam ao clássico na Sala Vip. A massa foi contida pelos seguranças. Pouco depois, o presidente do Conselho Deliberativo, Florival Barleta, teve de deixar sua moderação costumeira para se defender, no tapa, das ofensas que ouviu.
Essa revolta pode significar o fim de outra era Pelé no Santos: o Rei do Futebol, que se despediu da Vila Belmiro há 25 anos como jogador, voltou na condição de dirigente em 94, elegendo primeiro Miguel Kodja Neto e depois Samir Abdul-Hak para a presidência do clube. Com o time desclassificado no campeonato, o grupo de Pelé terá problemas nas eleições da nova diretoria, previstas para dezembro, até porque, nos momentos de ira, os torcedores esquecem o passado do Atleta do Século e pedem sua saída do clube. Se esse foi o clima depois da goleada por 4 a 1 no clássico de quarta-feira, resultado que tirou as chances do Santos garantir uma vaga para a próxima fase do Brasileiro, a reapresentação dos jogadores na tarde de hoje mostrou o time nocauteado, que passa agora a cumprir a tabela e tentar as vitórias que não vêm há três jogos. "Agora, é disputar com dignidade as próximas partidas", disse o técnico Paulo Autuori. Pelas suas contas, o Santos precisaria de pelo menos 33 pontos para se classificar. "Poderemos fazer no máximo 32 pontos e isso é insuficiente para garantir a vaga", completou.
O treinador disse que "não há o que lamentar em relação ao resultado".
"Cada um tem que assumir sua responsabilidade e os erros cometidos por todos", comentou. Mais uma vez, poupou jogadores e dirigentes de críticas: "Quando vim para o Santos, foi para assumir as coisas integralmente, sabendo tudo o que estava acontecendo, as carências e as limitações; portanto, falar contra agora seria hipocrisia".
Quanto ao clássico, lamentou as falhas cometidas. "Elas foram de desatenção, de conceito, e jamais houve de maturidade, porque a equipe era madura". Para ele, faltou qualidade, competência para fazer os gols e respeito ao adversário, embora a vontade dos jogadores tenha sido grande. "Faltou cabeça", comentou, "pois o time entrou em desespero total sem a mínima necessidade". E acrescentou: "o dia que só o tesão ou a determinação ganhar da inteligência, estaremos totalmente mal arrumados nesse nosso mundo".


