A péssima atuação do Londrina diante do Gama, no empate sem gols de anteontem à noite, no Estádio do Café, na abertura do quadrangular final da Série B do Brasileiro, serviu para mostrar ao técnico Varlei de Carvalho que o time precisa retomar imediatamente o 3-5-2. Segundo ele, houve falhas em quase todos os setores, menos na zaga.
Varlei entende que o Londrina, desfalcado de cinco titulares - Valder, Marquinhos Capixaba, China, Wagner e Mauro, que retornam contra o Botafogo, na segunda-feira à noite, em Ribeirão Preto -, esteve dentro dos ‘limites possíveis’. ‘‘Se fosse para criticar meus jogadores individualmente, seria o olho no olho. Portanto, não vou falar por trás. Mas não faltou luta.’’
Varlei exige, mas também é cobrado. Ontem à tarde, ele e o coordenador-geral do Londrina, Célio Guergoletto, mantiveram uma reunião para discutir as falhas da equipe. Guergoletto contestou a entrada de um atacante (Rogério) no lugar de um marcador (Alemão) no instante em que o time precisaria segurar a igualdade. ‘‘Não poderíamos correr riscos. Opinei como um simples torcedor e não como dirigente. É um direito meu. Admiro uma coisa no Varlei: ele aceita críticas e ouve opiniões. É um cara democrático. Aqui, a gente lava a roupa suja em casa, mas sem qualquer desavença.’’
Agrade ou desagrade, Varlei acha que ninguém pode ignorar uma evidência: a de que o Londrina encontra o ponto de equilíbrio no 3-5-2. ‘‘É um sistema forte em todos os setores. Não é uma tática defensiva, ao contrário do que pensam alguns. Basta conferir nossa campanha.’’
Depois de tudo o que aconteceu anteontem, Varlei redescobriu a importância de dois alas - como Marquinhos Capixaba, por exemplo - que forçam bastante as jogadas de fundo. Quanto a Gilmar Nass, ele só teme que o ala esquerdo não possa enfrentar o Botafogo. Nas últimas três partidas, o jogador sentiu algumas dores na virilha, que se tornaram mais intensas contra o Gama. ‘‘Meu receio é que seja uma contusão grave’’, afirmou Gilmar Nass, que será novamente examinado pelo médico Júlio Bispo. Existe a suspeita de contratura. Já Ivanildo, que ainda reclama de dores no nervo ciático, é outro que depende de uma avaliação, mas garante que joga.
Às 10h30 de hoje, Varlei comanda um coletivo. Às 15h45, o Londrina embarca para São Paulo e, de lá, para Ribeirão Preto.
O clube registrou um público pagante de 16.900 torcedores no Estádio do Café, anteontem à noite. O total alcançou 20 mil, incluindo aposentados, menores e convidados. O clube repassou 900 ingressos em troca de parcelas correspondentes a dívidas trabalhistas, além de quitar alguns compromissos da Sociedade Amigos do Londrina (SAL). Também repassou R$ 4 mil para os salários dos juniores. A renda bruta alcançou R$ 45 mil. Depois de pagar taxas e outras despesas, a diretoria alega que sobraram apenas R$ 25 mil.
Enquanto isso, o clube pretende formar uma caravana de 300 torcedores - até ontem, estavam assegurados quase 150 - para o jogo de Ribeirão Preto. O ônibus, de graça e com direito a lanche, sai na segunda-feira, às 9 horas, em frente do Estádio VGD. Os interessados pagam os ingressos - os mais baratos custam R$ 5,00.

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