A prefeitura de Lyon, região sudeste da França, anunciou ontem que vai adotar um esquema especial de segurança para a partida entre Estados Unidos e Irã, marcada para domingo no Estádio Gerland, pelo Grupo F. O governador da província, Pierre Guinot-Delery, disse que será reprimida qualquer tentativa de exploração política da partida. Serão confiscados todos os cartazes ou bandeiras que contenham alusões sobre os governantes dos dois países, seus sistemas de governo ou outra mensagem qualquer que tenha conotação política ou ideológica. Só será permitida a entrada de bandeiras com as cores ou nomes dos países. A polícia promete realizar uma revista minuciosa em todas as pessoas que forem ao estádio. ‘‘Tomaremos o máximo de cuidado para que a partida de futebol não seja usada para fins políticos’’, afirmou Delery.
A Fifa acompanha com preocupação a partida entre as seleções dos dois países, que não têm relações diplomáticas. As autoridades policiais francesas teriam recebido informações de que grupos extremistas islâmicos estariam preparando um atentado, mas a informação não foi confirmada, segundo o presidente eleito da entidade, Joseph Blatter. Apesar disso, a Fifa tomou precauções. Escalou o árbitro suíço Urs Meier para apitar o jogo. ‘‘Além de um árbitro de alto nível, vem de um país que mantém ótimas relações diplomáticas com os dois países’’, justificou Blatter.
Na quarta-feira, as relações entre a Fifa e a Federação Iraniana ficaram tensas depois que um canal fechado de TV exibiu o filme que no Brasil foi mostrado com o título de ‘‘Não sem milha filha’’. No filme, uma norte-americana casada com um iraniano era impedida de deixar o Irã com a filha dela, pelo pai da criança.
O presidente da Federação Iraniana de Futebol ameaçou abandonar a Copa, por entender que se tratava de propaganda contra seu país. Em uma carta, a federação protestou à Fifa e ao Comitê Francês de Organização da Copa. Ontem, a Fifa lamentou que exibição do filme tivesse causado problemas, mas garantiu que não tinha influência sobre a programação da emissora de TV. Em nota oficial, a Fifa diz que o canal (M6) é privado e não faz parte do Grupo GRF, responsável pelas transmissões dos jogos da Copa, como chegou a afirmar o presidente da Federação Iraniana, Mobsen Safaei Farohani.
Os jogadores do Irã vão dar flores aos atletas dos Estados Unidos antes do jogo de domingo. Depois da partida, os atletas estão autorizados a trocar de camisa com os adversários. Os iranianos querem a todo custo dissipar o cunho político que envolve o confronto contra a equipe de futebol do país que desde 1979 não mantém relações diplomáticas com o Irã. ‘‘Demos flores também para os iugoslavos e não vejo motivos para não repetir esta demonstração de amizade com os jogadores dos Estados Unidos’’, explica o técnico Jalal Talebi, que já trabalhou em universidades norte-americanas e tem dois filhos vivendo com a mãe na Califórnia.
Nunca o futebol do Irã esteve tão em evidência. Antes do primeiro jogo, contra a Iugoslávia, os treinos e entrevistas dos jogadores do Irã eram acompanhados por, no máximo, cinco jornalistas. Para o jogo com os Estados Unidos, a situação mudou. O jogo é decisivo: as duas equipes perderam na primeira rodada, e quem sofrer nova derrota está fora da Copa. Mas o assunto abordado ontem não era futebol. Talebi foi o centro das atenções da imprensa mundial na entrevista que concedeu a mais de 50 jornalistas.
O atacante Tab Ramos, dos Estados Unidos, disse que o jogo contra o Irã é ‘‘politicamente mais importante’’ para os iranianos, que se sentem mais pressionados. O jogador - de origem uruguaia, mas naturalizado norte-americano - disse que o jogo não tem nenhum motivo para ser encarado como perigoso. ‘‘Temos, simplesmente, que ganhar’’.

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