Luxemburgo volta a atacar os árbitros
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sexta-feira, 04 de dezembro de 1998
Agência Estado 
O técnico Wanderley Luxemburgo encampou de vez a sua cruzada contra os árbitros. Antes mesmo de conhecer o resultado do seu julgamento de ontem à noite pelo Tribunal de Justiça Desportiva da CBF, ele afirmou que a arbitragem brasileira não acompanhou a evolução do futebol.
Segundo Luxemburgo, os juízes brasileiros são protegidos e não estão preparados para apitar jogos difíceis, como os das finais do Brasileiro.
Praticamente não existe renovação no quadro de arbitragem brasileiro e, além disso, quando um juiz erra no domingo ele volta a trabalhar na quarta-feira: não há punição, disse, criticando o presidente da Comissão de Arbitragem, Armando Marques.
Outra coisa que irrita Luxemburgo é a falta de flexibilidade dos juízes. No Brasil, você não pode dialogar com o árbitro, enquanto que na Europa isso é mais do que comum.
Foi por procurar o diálogo com o árbitro que Luxemburgo acabou expulso por Cláudio Vinícius Cerdeira no jogo contra o Vitória, pela primeira fase do Brasileiro, motivo do seu julgamento na CBF. Eu não merecia a expulsão, eu não o ofendi. O Cerdeira transferiu para mim uma culpa que era dele, pelos erros que ele teve durante o jogo, afirmou Luxemburgo ontem à tarde, inconformado.
Cerdeira move contra o técnico um processo na Justiça Comum por ter sido ofendido num jogo entre Santos e Internacional, no Brasileiro do ano passado, quando Luxemburgo era o técnico santista. Estou sendo punido pelo passado e não pelo que fiz agora, afirma Wanderley Luxemburgo.
O treinador entende que o time perde muito sem a sua presença no banco de reservas, o que aconteceu na terceira partida dos playoffs, contra o Grêmio, no Pacaembu, quando Luxemburgo cumpriu suspensão. O time precisa da minha presença; lá de cima, eu tenho de passar as informações para o Oswaldo (auxiliar-técnico) e elas chegam de forma indireta para os jogadores; é complicado.
Luxemburgo disse até ter combinado com os jogadores dois palavrões-códigos para facilitar a compreensão de suas instruções do banco de reservas.
Treinos - Durante a mais intensa semana de treinamentos do semestre, Luxemburgo procurou corrigir outros fundamentos, além das finalizações da equipe. Trabalhou a marcação sob pressão, o posicionamento da defesa nas bolas aéreas, a reposição de bola do goleiro, o rebote ou segunda bola e até cobranças de laterais. Luxemburgo impediu que as TVs filmassem as jogadas de bola parada.
Marcelinho Carioca teve instruções especiais. Ele não precisará marcar o lateral Athirson no domingo, mas terá de cercar a saída de bola dos zagueiros e volantes santistas. Com a bola, ele terá a liberdade de sempre, mas, sem ela, cumprirá uma função tática como todos os outros, disse o treinador.


