Ainda sob o efeito da emoção pela vitória do Corinthians sobre o Palmeiras por 2 a 1, domingo, no Morumbi, a primeira na sua volta ao futebol, depois de uma ausência de quatro meses, o técnico Wanderley Luxemburgo vai ser apresentado hoje, como o ‘‘salvador da pátria’’ da pivô Karina, que estava sem patrocinador para disputar o Campeonato Nacional de Basquete.
Luxemburgo dará ‘‘apoio financeiro’’ ao projeto que inclui o time de Jundiaí, uma equipe de cadeira de rodas e escolinhas. ‘‘A proposta da Karina me emocionou porque tem um contexto social. Somos amigos há dez anos e quando a vi chorando na tevê resolvi ajudá-la’’, justificou ontem Luxemburgo.
A ajuda será formalizada por Karina e Luxemburgo em uma entrevista coletiva, hoje, em São Paulo. A jogadora ressaltou que o técnico não será um patrocinador, como uma empresa – o seu nome não estará nas camisas do time. ‘‘Ele sempre acompanhou minha carreira, o basquete. Me ligou, aflito, para saber o que estava ocorrendo. Eu contei, disse que ia para a Espanha, que o projeto tinha acabado e ele decidiu ajudar’’, disse Karina, que conheceu Luxemburgo, em 1991, na Ponte Preta.
Explicou que os advogados acertarão um contrato que termina no dia em que a jogadora conseguir um patrocinador ou pode durar, no máximo, três meses, até o fim do Nacional – ninguém revela de quanto será a ajuda.
‘‘É um apoio, para eu tomar fôlego e, com tempo, sem acabar com o projeto e disputando o Nacional, conseguir um patrocínio’’, afirma a jogadora, que também é a administradora do time, através da empresa A.K.L (Associação Karina Loester) Basquetebol Clube. O time de Jundiaí perdeu o patrocínio da Quaker, que foi vendida à Pepsi, após o Paulista.
Karina disse que não aceitará críticas e nem insinuações sobre Luxemburgo, que está sendo investigado na CPI do Futebol e pela Receita Federal por suspeita de sonegação final, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica, deseja vender a imagem de bom samaritano. ‘‘Me dê outra opção. É bom, não é o ideal, e mostra que chegamos ao fundo do poço. Espero a reação do ministro Carlos Melles.’’
Para a pivô, jogadores como Ronaldinho e Marcelinho, e clubes poderiam ajudar outros esportes com ‘‘recursos que, perto do futebol, seriam pequenos.’’ Karina destacou que Luxemburgo ‘‘faz um favor ao esporte brasileiro.’’
Além da amizade que mantém com a jogadora e da proposta ter um fundo social, Luxemburgo ressaltou que o basquete sempre esteve ligado à sua carreira de treinador. ‘‘Muito da parte tática que adoto no futebol. eu tirei do basquete’’, ressaltou o técnico, que admitiu ter um investimento financeiro no início no projeto.

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