A apreensão de uma carga de 60,6 mil garrafas da bebida isotônica Beverage no Porto de Paranaguá, há duas semanas, despertou suspeitas da Polícia Federal, que pediu informações à Receita Federal sobre o caso. A mercadoria pertencia à Saberi do Brasil Ltda., cujo galpão em Pinhais está desocupado. O empresário Sérgio Malucelli e o técnico da Seleção Brasileira, Wanderley Luxemburgo, são sócios na construção de uma fábrica de Beverage em Irati.
Há suspeita de que a mercadoria seria exportada como se fosse produzida no Paraná. ‘‘A empresa é do Sérgio Malucelli, que assumiu tudo em agosto do ano passado’’, diz Denílson Espíndola, que figura como sócio na Saberi, junto com o argentino Martin Guillermo Morrone. ‘‘Eu era sócio, depois foi feito outro contrato (social) com o nome do Malucelli, que ia transferir a empresa para Irati’’, diz Espíndola.
A carga foi apreendida por decurso do prazo de permanência na alfândega do Porto de Paranaguá, que normalmente é de 90 dias. ‘‘A informação oficial que tenho é que a Receita tomou a mercadoria. Não sei se houve alguma irregularidade na importação e só a Receita pode responder isso, pois não temos acessos aos documentos’’, diz Ronaldo Pianowski de Moraes, delegado da Polícia Federal em Paranaguá. ‘‘Extraoficialmente, há informações de que a empresa importadora é do Malucelli e do Luxemburgo’’, diz o delegado.
Sérgio Malucelli diz que a importação foi feita pelos antigos representantes da marca Beverage no Brasil. ‘‘Tínhamos um contrato de imagem com eles, que foi rompido há dois meses, pois eles não cumpriam a parte deles’’, diz o empresário. Esse contrato autorizava o uso da imagem de Luxemburgo na propaganda da bebida isotônica. Segundo Malucelli, o projeto da fábrica em Irati só será retomado em 2001. ‘‘Demos um tempo depois das denúncias contra o Luxemburgo e vamos começar as obras no começo do ano que vem.’’
A carga apreendida chegou em Paranaguá em setembro do ano passado, segundo José Roberto Brito, responsável no Paraná pelo escritório da Wilson Logistics do Brasil Ltda, empresa contratada para transportar a mercadoria da Argentina para o Brasil. Malucelli nega que tenha qualquer relação com a importação da mercadoria, embora Espíndola diga que ele assumiu a empresa em agosto do ano passado.
O inspetor da Alfândega do Porto de Paranaguá, Mário Roberto Granziera, diz que não houve irregularidade na importação das bebidas isotônicas. ‘‘Há suspeita de que a importação tenha relação com o Luxemburgo, embora o nome dele não apareça no processo da tomada da mercadoria’’, afirma Granziera. Segundo ele, as 60,6 mil garrafas de meio litro de Beverage foram distribuídas ao 2º Batalhão de Infantaria Blindada, localizado em Curitiba, e à Capitania dos Portos do Paraná.
Depois de trazer a carga para o País, a empresa Wilson Logistics do Brasil não conseguiu receber o valor do frete. ‘‘Tem alguma coisa esquisita com essa empresa (Saberi), que tem um sócio brasileiro com jeito de ‘laranja’, pois parece que não há bens em seu nome’’, diz José Roberto Brito. A Saberi teria ficado devendo à Wilson Logistics cerca de US$ 20 mil. Segundo Brito, a Wilson Logistics pediu a citação judicial da Saberi no seu endereço comercial, em Pinhais, mas não havia ninguem no galpão. Agora vão tentar notificar Denílson Espíndola para tentar receber o que lhes é devido.

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