Luxemburgo sonha com 6º título brasileiro
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
Bruno Lousada e Silvio Barsetti <br> Agência Estado 
Rio - Maior detentor de títulos do Campeonato Brasileiro - venceu a competição duas vezes pelo Palmeiras e ainda por Cruzeiro, Corinthians e Santos -, Vanderlei Luxemburgo voltou à cena graças à campanha do Flamengo na temporada. Em oito meses, obteve com o time rubro-negro 25 vitórias e 16 empates. No ano, o clube registra apenas uma derrota - para o Ceará, pela Copa do Brasil.
Nesta entrevista, Luxemburgo fala sobre a grande fase do Flamengo. Trata ainda de seleção brasileira e Ronaldinho Gaúcho e critica quem defende que ele se concentre mais na função de técnico, preocupando-se menos em interferir na gestão do futebol dos clubes por que passa.
Qual o segredo do sucesso do Flamengo?
Planejamento. O Flamengo foi planejado nas contratações, nas dispensas, na reformulação, na filosofia de trabalho da presidente Patricia Amorim.
Você é o maior vencedor de Brasileiro. Já vislumbra um novo título?
Eu quero ganhar sempre, mas ainda é muito cedo para se falar disso. O Campeonato Brasileiro vai ser definido nas últimas cinco rodadas, como foi no ano passado, com dois ou três clubes sabendo que a derrota ou o empate de um vai abrir o caminho para o outro.
Depois de sete anos, você voltou a despontar num Brasileiro...
Normal. Isso não é um privilégio meu. Vocês analisam a competição. Quem consegue ganhar todos os anos campeonatos como a Liga dos Campeões da Europa, quem? O Alex Ferguson está há quase 30 anos no Manchester United e só ganhou esse título duas vezes. Meu último Brasileiro foi em 2004, pelo Santos. Em 2003, ganhei pelo Cruzeiro. Eu poderia ter vencido outro, pelo Palmeiras (em 2009). Mas o Belluzzo (Luiz Gonzaga, ex-presidente) mostrou uma inabilidade muito grande, jogou um Brasileiro fora por vaidade. O time estava pronto para ser campeão.
Você inventou a expressão zagueiro-zagueiro para se referir ao jogador Odvan, que atuou na seleção no final dos anos 90. O que significa isso?
Zagueiro tem que ser zagueiro, não pode errar, não pode fazer uma ''domingada'', tentar driblar, por exemplo. Quem tem que driblar é atacante.
Há os que apostam que você chegaria mais longe apenas como técnico-técnico, limitando-se à sua função, em vez de interferir na gestão do futebol do clube...
Isso é uma grande bobagem. Onde é que eu perco o foco? Vocês criam essas coisas, isso se massifica, vira rótulo e acabou. Ah, o Vanderlei está desfocado. Desfocado como? Ganhei nove campeonatos seguidos, perdi um, aí estou desfocado? Jornalistas podem falar em site, escrever em jornal, ter programa de rádio e TV. Vocês são o suprassumo, eu sou o ''supramerda''. Isso é falta de respeito. Por que eu não posso? Só tive um ano ruim, ano passado, no Atlético Mineiro. São 22 anos de carreira top, de primeira linha. Agora, ninguém consegue ganhar todos os campeonatos. Sou um ser humano.
Ainda tem esperança de que Ronaldinho Gaúcho volte a ser aquele craque do Mundial de 2002?
Ronaldinho está com 31 anos. Não podem querer vê-lo achando que tem 26, 27 ou 20 anos. Todo mundo criticou quando eu o escalei como meio-campo. Hoje, a dinâmica de jogo é diferente. Se ele joga na frente, vai usar o talento em beneficio da equipe. O que adianta botá-lo para correr no meio?
Há espaço para Ronaldinho na seleção?
A seleção tem que encontrar uma liderança, um jogador para quem as pessoas olhem e digam: ''Olha ali, aquele é o cara''.
Existe esse jogador?
Não sei se tem, há um hiato. Quando o Ronaldo parou, já tinha de ter outro nome. Poderia até ter sido o Ronaldinho, o Robinho ou o Kaká. Mas ficou uma lacuna, não preenchida.
Desde que deixou a seleção em 2000 seu nome esteve cotado para voltar à equipe pelo menos duas vezes? Ainda vive essa expectativa?
Não. Minha Copa era a de 2002, com tudo preparado. Mas me arrancaram de lá. Eu estava no lugar certo na hora errada. O time estava pronto para ser campeão no Japão. Tanto que 19 jogadores daquela seleção foram jogadores que eu preparei, reformulando, montando time, viajando, acumulando seleção olímpica e principal.
Qual a principal dificuldade no trabalho de Mano Menezes?
É a maturação do grupo. Passou por dificuldade na Copa América e precisa passar por muito mais. O ultimo jogo do Brasil nas Eliminatórias de 94 foi no Maracanã, contra o Uruguai. Se não ganhasse ali, não seguia para o Mundial. Quando ganhou, eu disse: ''Vai ser campeão''. Superou a dificuldade. Essas coisas amadurecem muito. E agora o Brasil não vai passar muito por isso. O grupo é jovem. ''Ah, mas o Neymar ganhou a Libertadores''. Ok, mas foi pelo Santos. Na seleção é diferente.


