Luxemburgo se dá mal em depoimento
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sexta-feira, 01 de dezembro de 2000
Agência Estado De Brasília 
O ex-técnico da Seleção Brasileira Wanderley Luxemburgo teve o depoimento, ontem, na CPI do Futebol, marcado por inúmeras contradições. A mais forte contradição foi sobre os R$ 23 milhões que movimentou nos últimos sete anos e sobre os valores que declarou à Receita Federal, de menos da metade desse valor. O relator mostrou que R$ 4,6 milhões ou 20% dos recursos que circularam nas suas contas bancárias foram depositados em dinheiro vivo, na boca do caixa.
Luxemburgo disse que se tratava de depósitos repetidos, que passavam de uma conta para outra, mas Althoff assegurou que esses repasses não foram computados. Ele se mostrou um desmemoriado, constatou o relator, ao perceber que o treinador não respondeu de maneira coerente boa parte das perguntas que lhe foram feitas.
O ex-técnico da seleção caiu numa armadilha logo no início do depoimento. Ele disse que seu primeiro nome foi registrado com W e com Y. Althoff mostrou, então, que na sua certidão de nascimento efetuada em 1952, tida como autêntica, seu nome começava com V e terminava com I. Luxemburgo pôs a culpa numa displicência de seu pai, que já morreu.
Ele disse que só tomou conhecimento de que possuía duas certidões uma de 1952 e a outra de 1955 pela imprensa, embora tenha confirmado que jogou em seleções juvenis, quando já estava com a idade real superada.
Wanderley Luxemburgo caiu em contradição até mesmo quando não era questionado pelos senadores. Na introdução de seu depoimento, ele fez uma ampla exposição sobre seu relacionamento com Renata Alves, sua ex-procuradora que o denunciou na Justiça e à CPI. Segundo ele, seu contato com Renata era vago, mas ainda assim reconheceu que passava o dinheiro que ela lhe pedia para arrematar bens em leilões. E mesmo insistindo que esse relacionamento era superficial, ele teve de informar que o pai da moça, Roberto Alves, foi seu advogado numa causa contra o Flamengo.
Seu relacionamento com o empresário Sérgio Malucelli, a julgar pelo que ele disse, é algo estranho. Ela afirma que ambos não têm nenhum negócio em comum, mas não soube explicar porque o empresário depositava dinheiro nas suas contas. O relator citou depósitos de R$ 210 mil e de R$ 768 mil. Ele é meu amigo e cuida dos meus negócios, defendeu-se. Ele é que cuida da aplicação na bolsa.


