Buenos Aires, 03 (AE) - Quando Brasil e Argentina entram em campo, uma rivalidade de 85 anos pode representar, em caso de uma jogada mais brusca de algum atleta, uma explosão de violência, uma das principais preocupações da equipe de Wanderley Luxemburgo para o amistoso entre as duas seleções, neste sábado, às 16 horas, no Monumental de Nuñes, em Buenos Aires.
"Em qualquer jogo entre brasileiros e argentinos, todos querem ganhar no grito e essa catimba acaba mexendo com a estabilidade emocional dos jogadores, o que pode causar muitas entradas violentas", afirmou o meia Rivaldo, um dos mais perseguidos em campo no último confronto entre as seleções, em julho, pela Copa América. O Brasil venceu o rival por 2 a 1. "Naquela partida, apanhamos demais."
Nesse mesmo duelo, houve um princípio de desentendimento entre o lateral Roberto Carlos e o meia Ortega. O brasileiro, que chegou a dar um tapa no rosto do adversário, garantiu que o problema já foi superado, mas todo cuidado é necessário para enfrentar os argentinos.
"Parece que está tudo bem entre nós." Para Luxemburgo, a rivalidade deste clássico do futebol mundial se restringe ao campo. Durante o jogo, lances mais duros podem ocorrer, numa simples demonstação de garra e vontade de vencer. Para isso, decidiu reforçar a marcação no meio, com Zé Roberto. Apesar de ter testado o esquema 3-5-2, na quinta-feira, a equipe deverá atuar com sua formação tradicional, com dois zagueiros: Antônio Carlos e Scheidt. João Carlos vai para o banco.
"Estamos jogando fora e a pressão da torcida influencia o comportamento dos atletas." Diplomático, o treinador não admite que as equipes tenham a intenção de entrar em campo pensando em agredir o adversário.
Segundo o atacante Élber, contudo, que perdeu sua vaga para Ronaldinho, a violência faz parte do estilo de jogo dos argentinos, característica preocupante para quem acabou de se recuperar de uma grave contusão no joelho, que o afastou do futebol por quase cinco meses. "Muitos jogadores da Argentina são maldosos e estão realmente dispostos a dar porrada", contou o atacante.
A violência, no entando, pode ser confundida com catimba
de acordo com Dida. "Brasil e Argentina sempre foi um jogo truncado, em que todo mundo grita e xinga o outro em campo", destacou o goleiro, ressaltando que a concentração nesses casos é decisiva para não perder o controle sobre as próprias atitudes. "Malícia é uma coisa, maldade é outra." Para o Brasil, há uma agravante. O confronto será no campo adversário, sob o olhar de 60 mil argentinos.
A rivalidade será acirrada também pela possibilidade de o vencedor superar o o oponente em número de vitórias na história dos duelos entre as duas seleções. Em 82 partidas disputadas, cada equipe ganhou 30 vezes e houve 22 empates. No jogo, porém, que, para muitos, não tem nada de amistoso, os 22 atletas entrarão em campo com coletes de uma campanha contra o uso de drogas, organizada pelo governo dos dois países. Nesta luta, pelo menos, brasileiros e argentinos caminham lado a lado. FICHA TÉCNICA Brasil - Dida; Cafu, Antônio Carlos, Scheidt e Roberto Carlos; Émerson, Vampeta, Zé Roberto e Rivaldo; Ronaldo e Ronaldinho. Técnico - Wanderley Luxemburgo. Juiz - Gustavo Mendez (Uruguai). Local - Monumental de Nuñes, em Buenos Aires, às 16 horas.

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