Luxemburgo reclama da pressão
No segundo dia após ter sido nomeado técnico da Seleção Brasileira, Wanderley Luxemburgo já começou a se queixar da pressão do cargo, dizendo que sua rotina mudou completamente. Meu universo é outro desde terça-feira. Na minha apresentação já tinha percebido o assédio maior da imprensa e da torcida, mas está indo além do que eu imaginava. No hotel onde a delegação do Corinthians ficou concentrada para o jogo de ontem à noite, contra o Coritiba, os seguranças tiveram que pedir reforço à Polícia Militar para conter os cerca de 500 torcedores que se aglomeravam em busca de um autógrafo do novo técnico da Seleção e dos jogadores.
Luxemburgo disse que já vinha procurando se preparar para quando assumisse o cargo, mas a realidade é bem diferente do que imaginava. Na verdade, procurei me preparar a vida toda para ser técnico do Brasil, mas quando chega a hora é que a gente vê que não sabe nada da seleção. Agora estou vendo o quanto vou ter que me adaptar, disse, reclamando de fome durante entrevista de uma hora e meia que deu no hotel.
Ele disse que pretende se reunir com o ex-técnico Zagallo, com quem falou por telefone ontem, em busca de orientações. Estou familiarizado com clubes. Com a Seleção é muito diferente. Espero contar com o apoio de Zagallo para vencer as dificuldades durante o período de familiarização. Esse apoio será fundamental.
Agência EstadoEstrelaTécnico Wanderley Luxemburgo, cercado por microfones: Assédio está indo além do que eu imaginavaAntes eu era solicitado apenas para falar dos clubes que treinava. Em apenas dois dias, passei a ser procurado também para falar do Brasil, do futebol mundial, de tudo. O que menos me perguntam é sobre o Corinthians.
Uma das medidas que ele pretende adotar para diminuir a pressão será a divisão do técnico entre Seleção e Corinthians. Às vésperas dos jogos do Corinthians, não vou mais falar de Seleção. Nas folgas, volto a falar.
O volante Vampeta disse que, por mais que Luxemburgo tente separar seus dois trabalhos perante os jogadores, o clima de pressão e expectativa chega ao grupo. Como ele mesmo diz, não podemos confundir as coisas. Temos que manter os pés no chão, disse o jogador.
Luxemburgo anunciou também que vai convocar os treinadores de todos os clubes da primeira divisão para uma reunião com o objetivo de montar uma rede de informações para ajudar seu trabalho.
Nessa reunião, ainda sem data marcada, ele disse que vai criar uma linha direta em que os técnicos, que terão também a função de espiões, vão poder, além de passar informações táticas sobre adversários do Brasil, apresentar críticas.
Segundo ele, a Seleção quer todos os treinadores do País à sua disposição. A relação entre os treinadores no Brasil é complicada. Acho que chegou o momento de estarmos juntos. Nós, brasileiros, somos os melhores treinadores do mundo. Temos que valorizar nossa profissão, afirmou. Quanto mais observadores tivermos, mais facilidade teremos para o crescimento do trabalho. Quero técnicos me ajudando porque eles vêem coisas que quem não tem essa formação não vê. A palavra final será sempre minha, mas vou levar em consideração tudo o que chegar até mim. Luxemburgo disse que sua idéia é ter técnicos acompanhando o trabalho até durante os treinos para apontar as falhas da equipe.
Outra novidade anunciada ontem pelo treinador foi a adoção do ponto eletrônico em jogos. Luxemburgo vai passar a usar um transmissor acoplado ao ouvido semelhante ao de apresentadores de TV, por meio do qual ouvirá orientações de outros técnicos que ficarão nas arquibancadas.
O anúncio da nova comissão técnica da seleção, de acordo com Luxemburgo, será no próximo dia 6 de setembro. Dois dias depois fará sua primeira convocação de jogadores. A seleção vai disputar amistoso com a Rússia no dia 26. Luxemburgo disse que jamais vai aceitar uma interferência técnica da CBF ou de patrocinadores na sua equipe. Segundo ele, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, poderá indicar jogadores, mas ele aprovará só se não tiver nomes melhores.A palavra final
será sempre minha,
mas vou levar em
consideração tudo o
que chegar a mimAgência Folha





