Agência Estado
De Porto Alegre
Uma vitória sobre a Argentina hoje, às 16 horas, no Beira-Rio, é a chance de Wanderley Luxemburgo recuperar o prestígio da Seleção Brasileira, arranhado pelas derrotas diante do México (4 a 2), na final da Copa das Confederações, e da própria Argentina (2 a 0), em amistoso sábado, em Buenos Aires. O treinador não vai fazer alterações na equipe. Cobra apenas de seus jogadores uma mudança de atitude em campo. Quer um grupo mais concentrado, mais ‘‘ligado’’ na partida.
A decisão do treinador foi passada ontem aos atletas momentos antes do treinamento, pela manhã. Depois de uma longa conversa, em tom irritado, Luxemburgo deixou o capitão Cafu expor suas idéias, representando os jogadores. ‘‘Pedi a todos mais aplicação e determinação’’, afirmou o técnico, ressaltando a importância de o meio-de-campo movimentar-me mais para fortalecer a marcação e criar espaços para os zagueiros saírem jogando. ‘‘No sábado, para um clássico diante da Argentina, realmente a equipe não estava 100% concentrada, como se exige de um atleta de seleção’’, reconheceu Cafu.
Quem mais sofreu foram os zagueiros, que, sem opção para passar a bola, acabavam dando chutões para frente – muitos sem direção. ‘‘Ou eu recuava a bola para o Dida ou me livrava dela de qualquer jeito, pois os jogadores estavam muito dispersos em campo, um longe do outro, sem sintonia’’, revelou Antônio Carlos.
O esquema tático não será alterado, uma vez que Luxemburgo acredita que o atual sistema de jogo é bom. Os jogadores precisam, segundo ele, apenas acertar o posicionamento e saber a hora certa de neutralizar o adversário. ‘‘É apenas uma questão de encaixe, de timing da jogada; quando um for marcar, o outro fica’’, analisou o treinador, que manterá os titulares da primeira partida. ‘‘Foi uma decisão pela coerência; se eu tirasse alguém, de certa forma estaria culpando-o pela derrota.’’
A estratégia brasileira é copiar o estilo argentino de Marcelo Bielsa: marcar a saída de bola. ‘‘No futebol moderno, recuperar rapidamente a posse de bola é tão importante quanto estar com ela nos pés’’, declarou Antônio Carlos. Para o meia Rivaldo, que em Buenos Aires foi anulado por Redondo, o Brasil não pode dar espaço para os argentinos. ‘‘Quem vai pressionar, desta vez, somos nós’’, ressaltou o meia do Barcelona.
No ataque, Luxemburgo apostará novamente na dupla Ronaldo e Ronaldinho. Elber permanecerá na reserva. No treino da manhã, um grupo de torcedores hostilizou o atacante da Internazionale de Milão. Com gritos de ‘‘acorda, seu morto’’, a torcida cobrou-lhe mais garra em campo. Ronaldo preferiu não comentar a atitude do público. Destacou, apenas, que todo adversário do Brasil cresce em campo, mesmo em um amistoso. ‘‘Todo mundo quer tirar uma casquinha da nossa seleção; não é fácil, não.’’
Orgulhosos e confiantes, os argentinos esperam ratificar, na partida de hoje, a superioridade em relação ao Brasil mostrada no jogo de sábado, em Buenos Aires, e terminar o milênio em vantagem em relação ao seu maior rival. Os argentinos têm uma vitória a mais que os brasileiros no confronto direto: 31 a 30, além de 22 empates.
O técnico Marcelo Bielsa deverá repetir a formação que iniciou a partida de sábado. ‘‘O esquema de jogo será o mesmo, como vem sendo desde que assumi o comando da seleção’’, explicou o treinador.

FICHA TÉCNICA
Brasil
Brasil: Dida; Cafu, Antônio Carlos, Scheidt e Roberto Carlos; Émerson, Vampeta, Zé Roberto e Rivaldo; Ronaldo e Ronaldinho. Técnico: Wanderley Luxemburgo
Argentina
Bonano; Vivas, Ayala e Samuel; Zanetti, Redondo, Verón, Ortega e Sorín; Claudio Lopez e Crespo. Técnico: Marcelo Bielsa
Árbitro: Oscar Ruiz Acosta (Uruguai)
Estádio: Beira-Rio, em Porto Alegre
Horário: 16 horas

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