Agência Folha
De Campo Grande
Política, publicidade, badalação e quaisquer outras atividades extracampo devem ser banidas da seleção olímpica do Brasil, que disputa uma vaga para Sydney no início do ano que vem no Torneio Pré-Olímpico em Londrina.
Na chegada do time a Campo Grande, para o amistoso de terça-feira, contra o Paraguai, Wanderley Luxemburgo avisou que quer prioridade total para a inédita conquista do ouro olímpico. ‘‘Quem quiser participar do projeto tem que mostrar atitude e priorizar a seleção, porque conquistar uma vaga para a Olimpíada é até mais difícil do que conseguir uma para a Copa do Mundo’’, disse o treinador.
O recado de Luxemburgo, repetido exaustivamente no Mato Grosso do Sul, foi dado principalmente a Ronaldinho, do Grêmio, que na semana passada anunciou que gravaria um comercial para a Pepsi na Espanha.
Com viagem programada para o dia 20, o atacante, que quer passar o Natal em Porto Alegre, cogitara pedir dispensa dos testes de avaliação física que a equipe sub-23 fará no Rio, entre os dias 26 e 29, se o comercial não estivesse encerrado até lá.
Mas Wanderley Luxemburgo deixou claro que não só não o dispensaria, como poderia até cortá-lo se ele optasse pela gravação, deixando a seleção em segundo plano.
O temor da comissão técnica é ver o gremista seguindo os passos de Ronaldo, da Internazionale, que, segundo o próprio clube italiano, tem se dedicado exageradamente a eventos publicitários e sociais. Ciente da advertência do treinador, Ronaldinho prometeu não apenas treinar com mais afinco, como, se for o caso, deixar o comercial de lado. ‘‘O professor está certo. Para mim, a seleção vem em primeiro lugar’’, disse ele.
Mesmo assim, Luxemburgo não se deu por satisfeito. ‘‘Uma coisa é falar, outra coisa é agir. Vamos ver como ele se comporta daqui em diante, porque o futebol é um mundo complicado. Os mesmos que te jogam flores hoje atiram pedras amanhã.’’
‘‘O Ronaldinho teve aqueles dez segundos na Copa América (quando fez belo gol contra a Venezuela) e a imprensa criou um novo fenômeno. As cobranças ficaram muito maiores, e ele tem que aprender a lidar com elas.’’ Além da preocupação com os compromissos publicitários dos atletas, Luxemburgo também tenta evitar o uso político dos amistosos da equipe brasileira.
Confusão – O primeiro treino do Brasil em Campo Grande, ontem pela manhã, provocou problemas entre os torcedores e dirigentes da Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul. Como o estádio Morenão é da Universidade Federal e estava prevista uma partida entre estudantes de medicina e engenharia no local, exatamente no horário em que a seleção entrou em campo, um grupo de universitários recebeu o time com palavrões.
Irritado, Francisco Cesário, presidente da federação, dirigiu-se aos torcedores e exigiu respeito, ameaçando tirá-los do estádio.
Alheia à discussão entre os estudantes e o dirigente, a seleção brasileira mostrava preocupação com o estado do gramado. O auxiliar técnico Candinho, por exemplo, pediu que a grama, muito alta, fosse aparada o mais rápido possível.

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