O técnico Wanderley Luxemburgo ameaçou ontem destituir o meia-atacante Marcelinho da liderança do Corinthians, passando a faixa de capitão para outro atleta e deixando-o na reserva no jogo de amanhã, contra o Goiás, pelo Brasileiro. ‘‘Mantenho tudo o que falei sobre ele após a derrota (3 a 1) para o Palmeiras, no último sábado. Não tiro uma vírgula. Até o dia do jogo contra o Goiás decido se ele continua como capitão. Se achar que não devo escalá-lo, ele não vai jogar’’, disse.
Após a derrota, a quarta consecutiva do time - três delas no Brasileiro -, Luxemburgo resolveu colocar a culpa no jogador, que não teria cumprido a função tática predeterminada, e ameaçou afastá-lo não só do Corinthians, mas também da Seleção Brasileira. Marcelinho disse ontem, que está tranquilo e que não acredita que sua atuação no clube interferirá na seleção. Ele se recusou a pedir desculpa ao treinador e culpou a mudança de tática pelos problemas que o time vem tendo.
Marcelinho prefere usar os números para responder às críticas de Luxemburgo sobre seu comportamento tático no clássico contra o Palmeiras. O treinador queria que ele marcasse o lateral-esquerdo Júnior para neutralizar a principal jogada ofensiva do adversário: ‘‘Quando joguei avançado, atrás dos dois atacantes, fiz 11 gols e o Corinthians venceu, mas quando tive de ajudar na marcação, o time perdeu três jogos seguidos.’’ O jogador tenta evitar uma maior polêmica com seu superior. ‘‘Luxemburgo é a autoridade e eu sou o comandado’’, ilustra.
‘‘Não dá para dissociar o Corinthians da seleção. Sou técnico dos dois e o Marcelinho também está envolvido nas duas equipes. Vou fazer o que falei e vou tomar as atitudes que prometi depois do último jogo’’, afirmou Luxemburgo. Questionado se Marcelinho não seria mais titular do Brasil no próximo dia 14, contra o Equador, nos EUA, respondeu: ‘‘Vamos esperar. Ele foi titular no primeiro amistoso. De repente, pode ficar fora do próximo, independentemente do que aconteceu’’.
‘‘Sei que o que o Marcelinho fizer de errado aqui no Corinthians, vai fazer também na seleção. Quem não se encaixa na seleção, que fique jogando apenas em clube’’, completou o técnico.
Ao assumir a seleção, no último dia 11 de agosto, ele afirmou que o novo cargo não teria interferência no Corinthians, e vice-versa. Na convocação do zagueiro Cris para a seleção, por exemplo, disse que isso mostrava sua isenção, uma vez que o jogador era reserva no clube.

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