Valmir Denardin
De Foz do Iguaçu
O rumoroso ‘‘caso Ronaldinha’’ pode ser reaberto. Nesta semana, a Promotoria da Infância e Juventude de Foz do Iguaçu recebeu denúncia do Conselho Tutelar da Criança e do Adolescente contra o técnico da Seleção Brasileira, Wanderley Luxemburgo. Além disso, um escritório de advocacia da cidade está avaliando a possibilidade de processar Luxemburgo civil e criminalmente.
O episódio ocorreu durante a permanência da Seleção em Foz do Iguaçu para a disputa da Copa América, realizada no Paraguai entre 30 de junho e 18 de julho. O técnico da Seleção teria chamado de prostituta a adolescente A.S., de 17 anos, apresentada como suposta namorada do atacante Ronaldo pelo jornal paulista ‘‘A Gazeta Esportiva’’.
A. trabalhava com outras duas irmãs – todas loiras e atraentes – no Bar Biritas, pertencente à família. Ela teria conhecido Ronaldo, então separado da modelo Suzana Werner, durante uma festa. Dias depois, o jornal publicou foto da adolescente na capa – em poses sensuais, trajando um vestido curto de cetim. O título era: ‘‘A nova Ronaldinha’’.
Ao ver a reportagem, Luxemburgo teria dito que o jornal havia feito uma ‘‘coisa feia’’, ao publicar ‘‘a foto de uma prostituta na capa’’. Em entrevista à Folha, A. negou ter tido qualquer intimidade com o jogador e disse que o contato com ele foi ‘‘como o de qualquer f㒒. Luxemburgo nunca quis comentar o episódio.
Fátima Dalmagro, presidente do Conselho Tutelar, que foi procurada pela família da adolescente, disse que, ao fazer a afirmação, o técnico feriu dois artigos do Estatuto da Criança e do Adolescente: os de número 15 (que manda zelar pela dignidade, a liberdade e o respeito a menores) e 16 (expor menores a situação vexatória e constrangedora).
Fátima reuniu recortes com reportagens de jornais sobre o episódio e depoimentos da adolescente e de sua mãe, a dona-de-casa Olga Schaeffer. Juntou ainda o relato de uma tentativa de suicídio que a adolescente teria praticado há cerca de um mês. O material foi encaminhado à Promotoria, cujo responsável, o promotor Luiz Francisco Marchioratto, não foi encontrado ontem pela Folha.
Segundo Fátima, A. sofreu danos emocionais e está sendo tratada como prostituta nos lugares que frequenta. Ela está recebendo tratamento psicológico gratuito da Secretaria Municipal da Criança e do Adolescente.
O bar mantido por sua família foi vendido e reaberto pelo novo dono com outro nome: Madeiras.

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