Luxemburgo perde 'rédeas' da seleção
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quarta-feira, 31 de maio de 2000
Agência Estado De Teresópolis, Rio de Janeiro 
A ingerência da diretoria da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) nos trabalhos da comissão técnica da seleção, que culminou com a ordem de liberação de alguns jogadores para as rodadas do meio de semana pela Copa do Brasil, deixou claro que o técnico Wanderley Luxemburgo não goza mais de plenos poderes no comando da seleção. Foi a primeira vez que a quebra de autonomia do treinador chegou ao conhecimento público.
A determinação de adiar por um dia a apresentação de quatro atletas foi do presidente interino da CBF, Alfredo Nunes, e do secretário-geral da entidade, Marco Antonio Teixeira.
Na noite anterior, o presidente da Federação de Futebol do Estado do Rio (Ferj), Eduardo Viana, esteve com Nunes para pressioná-lo, em nome do vice-presidente do Vasco, Eurico Miranda, que não aceitava enfrentar o Fluminense, ontem à noite, pela Copa do Brasil, sem a presença de Edmundo. Luxemburgo teve de aceitar, a contragosto, a liberação de Edmundo, Athirson (Flamengo), Cláudio Caçapa (Atlético-MG) e Émerson (Portuguesa).
No final de abril, o técnico foi enfático ao dizer que não abriria mão de ter todos os jogadores à disposição durante os treinos para partidas válidas pelas Eliminatórias para o Mundial de 2002.
Por causa de sua posição firme, Luxemburgo viveu grande desgaste com dirigentes do Flamengo e do Grêmio, inconformados com a não-liberação de Athirson e Ronaldinho do primeiro dia de treinos da seleção para o jogo com o Equador, no Morumbi. Na oportunidade, ele chegou a assegurar que a palavra da comissão técnica era a definitiva.
Ontem, o treinador admitiu que mudou de opinião depois de uma reunião entre a comissão técnica e a diretoria da CBF. Não houve pressão, houve conversa; cada fato é um fato, as pessoas ficam nervosas por que acham que uma atitude anterior tem de ser mantida, comentou.
Luxemburgo tentou a todo custo buscar argumentos para justificar a contradição. Disse, primeiro, que a excursão do Brasil ao País de Gales e Inglaterra, na semana passada, serviu para dar mais entrosamento à equipe e permitiu que houvesse a liberação dos jogadores. Depois, falou que a medida era fruto de um consenso e não traria muitos prejuízos para a seleção. Por fim, Luxemburgo declarou que a decisão foi tomada para que os clubes, num momento importante de uma competição, não fossem prejudicados. Há poucos dias, em outra entrevista, ele dissera rigorosamente o contrário.
O técnico reconheceu que o trabalho da Seleção Brasileira foi prejudicado ontem em decorrência da ausência de quatro jogadores no treino realizado à tarde, na Granja Comary eles foram liberados para compromissos pela Copa do Brasil. Desde a semana passada, a programação da comissão técnica incluía três treinos antes da viagem, amanhã, para Lima.
Luxemburgo e seus auxiliares estavam certos de que conseguiriam juntar todo o grupo por uma razão: as férias dos que atuam na Europa, o que facilitou a chegada de Rivaldo, Roberto Carlos e seus colegas a Teresópolis. Eles só não esperavam ter de enfrentar problemas novamente com os clubes brasileiros.
Hoje, com a vinda prevista de Edmundo, Athirson, Cláudio Caçapa e Émerson, da Portuguesa, Luxemburgo vai comandar um treino tático, à tarde, e definir a equipe que vai jogar com o Peru. Sem esses atletas, ele foi obrigado a comandar um leve treino ontem, na Granja, com duração de 40 minutos.


