Londrina, 21 (AE) - Manter a coerência do trabalho e não abalar a confiança dos jogadores. Essas são as justificativas do técnico Wanderley Luxemburgo para não fazer mudanças na seleção brasileira para o jogo contra o Equador, domingo, pelo Grupo A do Pré-Olímpico, apesar da má atuação no jogo de estréia. "Não posso mudar todo um planejamento por causa de 90 minutos, além do mais uma mudança poderia abalar a confiança dos jogadores", disse Luxemburgo, após o treino de hoje.
As alterações, porém, não estão totalmente descartadas. "Se mais para frente eu sentir necessidade, haverá mudanças. Por enquanto o time está mantido". Mesmo afirmando que os jogadores estão bem psicologicamente e que já superaram a tensão da estréia, Luxemburgo deixou escapar que o grupo ainda sente os efeitos do empate contra o Chile. "Nem apitei o coletivo para deixar eles mais à vontade, não se sentirem pressionados".
Luxemburgo voltou a insistir que não faltou vibração ao time na estréia. "Estou apenas pedindo mais". Para o treinador
os jogadores sentiram o baque contra o Chile, mas já assimilaram que terão de trabalhar muito para superarem os próximos adversários. "Eu estaria preocupado se houvesse pagode e pandeiro, mas depois do jogo o silêncio no ônibus dizia tudo".
O treinador adotou o mesmo discurso do consultor técnico Candinho para analisar o apertado empate que a Argentina conseguiu hoje com o Peru, pelo Grupo B do Pré-Olímpico. Para ele, o resultado serviu para mostrar a realidade da competição. "Não foi surpresa nenhuma", afirmou. "Numa competição como essa a juventude conta mais que a técnica". Por isso, ele disse ter pedido mais garra aos jogadores brasileiros. "Tem que lutar os 90 minutos, ser aguerrido", disse, acrescentando que na hora da dificuldade o jogador tem que chamar a responsabilidade do jogo para si.
"Não precisa ser o Ronaldinho, o Alex ou Fábio Júnior. Pode ser qualquer um, mas alguém precisa chamar". Para o próximo jogo, Luxemburgo espera um adversário com uma forte retranca e manterá a determinação dos jogadores de ataque tentarem marcar ao máximo as saídas de bola. O destaque do time equatoriano, Ivan Kaviedes, não sofrerá marcação especial, segundo Luxemburgo. O técnico também acredita que a torcida não abandonará a seleção por causa do primeiro jogo. "A torcida vai estar do nosso lado. Pelo menos no começo, mas não sei se até o final", disse.
Sobre as vaias da quarta-feira, o treinador mostrou-se mais à vontade, fugindo do discurso de que faz parte da nossa cultura. "Até que eles tiveram bastante paciência, aguentaram 85 minutos. Jogando daquele jeito até eu se tivesse lá vaiaria"
comentou. Os jogadores devem ir com Luxemburgo ao estádio do Café hoje à noite assistir ao jogo entre Chile e Equador. "Mas não para secar o Chile. O Brasil tá pensando no Brasil. Temos de ganhar os três jogos e estaremos classificados".

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