Foz do Iguaçu, PR, 26 (AE) - Em dez meses de trabalho no comando da seleção brasileira e prestes a disputar a sua primeira competição oficial, a Copa América, o técnico Wanderley Luxemburgo já convocou 75 jogadores, numa sucessão de experiências. Nesse ritmo, superar a marca do antecessor Zagallo
que chamou 118 atletas em quatro anos e foi muito criticado por isso, é apenas uma questão de tempo. "Agora, ele está vendo de perto que não é fácil dirigir a seleção", afirmou Zagallo. "O número de convocados não é absurdo diante das circunstâncias, das dificuldades que os clubes acabam impondo para liberar seus atletas: isso não mudou e não vai mudar", acrescentou ele.
Desde o início, Luxemburgo direcionou o seu projeto em duas frentes: a seleção olímpica (que só disputou um amistoso até então, contra os Estados Unidos) e a principal, mas até agora não conseguiu definir o time-base de nenhuma delas. Segundo o técnico, após a Copa América e a Copa das Confederações, que será jogada em seguida, é que ele terá uma idéia mais precisa sobre as duas equipes e, consequentemente, sobre os jogadores que deve levar ao Mundial de 2002, na Coréia do Sul e no Japão.
Por enquanto, ele tem procurado privilegiar a seleção principal, recheando as convocações com dois ou três jogadores com idade para disputar o Pré-Olímpico, menos de 23 anos, para que eles ganhem experiência. Jogadores versáteis, como Vampeta e Flávio Conceição, estão entre os preferidos.
Para Zagallo, é fundamental que Luxemburgo mantenha uma filosofia de trabalho e uma base, independentemente do número de jogadores que tiver de chamar.
Uma das principais justificativas de Luxemburgo sobre o exagerado número de convocados são justamente os problemas que o repleto calendário do futebol lhe proporciona. Em apenas duas oportunidades, na sua estréia no cargo, em setembro do ano passado, contra a Iugoslávia, e agora, na Copa América, ele pôde chamar efetivamente quem queria, fora os jogadores contundidos.
Até então, Luxemburgo selecionou 9 goleiros, 12 laterais
12 zagueiros, 24 meias e 18 atacantes para a seleção. O goleiro Marcos, do Palmeiras, convocado para a vaga de Carlos Germano, foi o 75º atleta lembrado por ele. Entre veteranos e novatos, vários nomes passaram despercebidos: Muller (Cruzeiro), Cléber (Palmeiras), Bosco (Sport), Flávio (Coritiba), Josué (Goiás), Dedê (Borussia Dortmund) e Warley (Udinese), entre outros.
Dos 75 nomes lembrados pelo treinador, 57 entraram realmente em campo. Alguns, cortados por motivos diversos, nem chegaram a se apresentar. São os casos do goleiro Taffarel, do volante César Sampaio e dos atacantes Edílson e ¶nderson. Taffarel recusou-se a jogar, Sampaio e ¶nderson se machucaram e o atacante do Corinthians foi punido por indisciplina.
A REFERÊNCIA - O jogador-símbolo da "era Luxemburgo" é o meia Rivaldo, do Barcelona, da Espanha, que já havia trabalhado com o treinador no Palmeiras. Ele detém os recordes de convocações (7) e de partidas jogadas (8). O craque é considerado indispensável no esquema-tático de Luxemburgo. Aos 27 anos, Rivaldo já foi convocado 69 vezes, disputou 48 jogos e marcou 30 gols com a camisa amarela.

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