O técnico Wanderley Luxemburgo está descansando em uma fazenda na beira do Rio Araguaia, na divisa de Goiás com Mato Grosso. O treinador, que ontem foi demitido oficialmente do comando da Seleção Brasileira pelo presidente da CBF, Ricardo Teixeira, está em Goiás a convite do cantor Leonardo, de quem é amigo pessoal. Luxemburgo teria de depor nesta data na Polícia Federal para explicar o caso da duplicidade das datas de nascimento.
Luxemburgo chegou a Goiânia na noite de sábado, em um jatinho de Leonardo. Os dois jantaram na recém-inaugurada churrascaria Montana Grill, de propriedade da dupla sertaneja Chitãozinho e Xororó.
O empresário do cantor, João Rodrigues, o Cocá, adiantou que Luxemburgo deve ficar como hóspede de Leonardo em Goiás até quinta ou sexta-feira. Ele informou que o treinador não quer falar sobre seu desligamento da Seleção, mas disse que ‘‘ele ficou chateado por não poder ter dado prosseguimento ao trabalho que havia planejado para a Copa de 2002’’.
Luxemburgo espera resolver todas as implicações judiciais até o final do mês. Os advogados do treinador garantem que ele será inocentado da maioria das acusações e ainda conseguirá uma redução da multa da Receita Federal no caso da sonegação fiscal. Depois de se livrar dos processos, Luxemburgo deve viajar com a família.
Na véspera de ser demitido da Seleção, Luxemburgo fez uma projeção nada animadora do que pode acontecer com o futebol brasileiro. ‘‘Não adianta criar falsa expectativa. Não temos mais os melhores jogadores do mundo. Nem adianta cobrar identidade dos atletas com o futebol brasileiro. Os melhores estão na Europa, identificados com os clubes de lá, com a cultura do futebol europeu, e isso não vai mudar em curto prazo. Os reflexos estão na Seleção Brasileira.’’
Luxemburgo recomenda ao futuro técnico da equipe atenção especial à nova geração. ‘‘Não adianta pensar apenas no time que vai disputar a sequência das Eliminatórias. Se não olharmos para os jovens jogadores, vamos pagar caro na Copa de 2002. Formei um novo grupo, apostei nos garotos na Olimpíada também pensando na próxima Copa. A base de 2002 terá muito dos garotos que foram a Sydney, quem sabe mais o Denílson, Felipe, Pedrinho, que não jogaram a Olimpíada. Esses meninos e mais a base que está disputando as Eliminatórias são o nosso futuro.’’
O ex-treinador da Seleção disse que estava formando essa nova geração e ainda iniciando o trabalho com a Seleção Sub-17, quando foi surpreendido pela série de denúncias que o arrancaram do time brasileiro. ‘‘Quem não olhar para estes garotos vai ficar na mão. O futebol brasileiro vai perder muito e poderemos entrar no mesmo processo que a Alemanha está vivendo. Eles não conseguem formar uma nova geração. Corremos esse risco.’’
CPI – Wanderley Luxemburgo deve ser o primeiro nome a ser convocado para depor na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que o Senado vai instalar provavelmente nesta semana. Foi o que revelou, ontem, na capital baiana, o presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA).
Ele disse que apóia inteiramente a proposta da CPI feita pelo senador Álvaro Dias (PSDB-BA) e hoje vai tomar as primeiras providências para a criação da comissão. ‘‘Vou me reunir com os líderes partidários para que eles indiquem seus representantes na CPI, que fará uma devassa no futebol brasileiro’’, disse.
Segundo Magalhães, depois de Luxemburgo, que será questionado sobre as acusações de sonegação de impostos e intermediação na venda de jogadores, a CPI convocará os empresários ligados ao futebol. ‘‘Todas as coisas que merecem devassa merecem ser investigadas com seriedade, sem nenhuma vontade de vingança, mas com a vontade de fazer a decência tremular no País’’, observou.
Ele acredita ser possível apurar o que há de errado no futebol brasileiro da mesma forma que o Senado, recentemente, investigou os escândalos provocados por integrantes do Judiciário.

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