Luxemburgo faz mistério
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domingo, 26 de março de 2000
Por Silvio Barsetti 
Bogotá, 27 (AE) - O técnico Wanderley Luxemburgo só vai anunciar a escalação do Brasil momentos antes da partida contra a Colômbia, amanhã à noite, em Bogotá. Na verdade, as ausências de Cafu e Rivaldo acabaram sendo um trunfo, relativo, da equipe. Como o treinador da Colômbia, Luís Garcia, vinha estudando o Brasil com a formação tradicional, Luxemburgo quer agora criar uma dificuldade para o adversário. "Por que vou passar a mudança para ele?", indagou. "Que ele não saiba quem vai entrar no lugar de quem."
Luxemburgo reconheceu alguma vantagem da Colômbia no jogo de estréia das Eliminatórias, por estar treinando há cinco dias e não pelos desfalques do Brasil. Ele garantiu que apesar das mudanças, a seleção não vai alterar "sua característica". O treinador não entendeu porque o Brasil foi proibido de treinar com bola hoje no Estádio El Campin, local da partida, pelo gerente do estádio. "Nunca vi isso, queria que os jogadores pelo mesmo sentissem o peso da bola." Para ele, o jogo de amanhã é um exercício de "inteligência".
A seleção brasileira chegou ao Hotel Tequendama, no centro antigo de Bogotá, às 14 horas de hoje, sob os gritos de "Colômbia" de dezenas de torcedores. O esquema de segurança montado para receber a delegação mobilizou boa parte da polícia da capital do país. De acordo com jornalistas colombianos, o aparato visto hoje só pode ser comparado ao que foi feito durante a visita do papa João Paulo II à Colômbia, em 1988.
Os jogadores apresentavam cansaço e seguiram direto para seus quartos. O meia Émerson, um dos poucos a falar, disse estar confiante numa vitória do Brasil, "apesar de todos os problemas". Para ele, os desfalques não vão atrapalhar a seleção. "Quem entrar no lugar dos titulares, vai querer dar o melhor de si." O jogador também destacou que esperava a pressão dos colombianos.
O meia Alex repetiu o discurso de Émerson e disse que o Brasil vai jogar com a mesma seriedade de sempre. O jogador do Palmeiras garantiu que não se assustou com a euforia dos colombianos. "Isso é normal; eles estão no país deles." O zagueiro Antônio Carlos afirmou que a falta de entrosamento, já que a seleção não pôde realizar nenhum treino, não vai fazer diferença. "Agora não dá tempo de pensar em nada; é entrar em campo e fazer o melhor." Edílson, do Corinthians, só respondeu a uma pergunta antes de tomar o elevador. "Essa festa dos torcedores da Colômbia dá até mais força para a gente."


