O gramado irregular, duro e áspero do Estádio Mané Garrincha é a única preocupação do técnico Wanderley Luxemburgo para o amistoso da Seleção Brasileira sub-23 contra um time de novatos dos Estados Unidos, hoje, às 21h40, em Brasília. Luxemburgo criticou o campo ruim, mas disse que o Brasil tem a obrigação de superar as adversidades e sair do estádio com uma vitória. O local da partida foi determinado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
Luxemburgo assegurou que o gramado do Mané Garrincha apresenta problemas há mais de 11 anos. ‘‘Isso deve prejudicar o espetáculo’’, observou. Na segunda-feira ele atribuiu o desfalque do atacante Leandro, da Portuguesa, e do volante Sidney, do São Paulo, ao excesso de partidas a que são submetidos os jogadores brasileiros. Os dois, convocados para o amistoso, contundiram-se na rodada do fim de semana do Campeonato Paulista.
De acordo com o médico da seleção, José Luis Runco, qualquer campo de futebol, sem as condições devidas, pode provocar lesões nos atletas. O jogo com uma equipe basicamente universitária dos Estados Unidos é o primeiro da seleção sub-23 visando a preparação para a disputa do Torneio Pré-Olímpico, em janeiro. Até o fim do ano, pelo menos outros cinco amistosos serão disputados pela sub-23, dois deles contra a Austrália.
Alguns dos adversários desta noite são amadores - não ganham nada para jogar, mas Luxemburgo defendeu a realização da partida. ‘‘Não adianta lançarem para baixo esse amistoso, que é muito importante para o nosso grupo.’’ O técnico não recebeu nenhuma informação sobre o time sub-23 dos Estados Unidos. ‘‘Não sei nada dessa equipe e até acho isso bom.’’
Luxemburgo lembrou do tempo em que dirigia o Palmeiras, de 1993 a 1996, para justificar a opção pelos Estados Unidos. ‘‘Na fase de pré-temporada, a gente enfrentava a seleção de Atibaia, Serra Negra, Amparo, Águas de Lindóia.’’
Ao criticar o excesso de competições com a participação de clubes brasileiros, Luxemburgo defendeu seu antecessor na seleção, Zagallo. ‘‘Ele foi criticado várias vezes por ter convocado mais de 130 jogadores’’, disse. ‘‘Vou ter que ir pelo mesmo caminho.’’
O técnico comentou que nunca conseguiu convocar todos que desejava, por causa de contusões ou do pedido de dispensa dos clubes. ‘‘Hoje, jogar na seleção deixou de ser uma coisa nobre.’’

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