Luxemburgo exige múltiplas funções em campo
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 07 de outubro de 1999
Por Emerson Couto 
Amsterdã, 08 (AE) - Você prefere jogar no meio-de-campo ou na lateral? A posição de volante ou a de zagueiro te agrada mais? Estas perguntas nunca foram tão comuns para os jogadores da versátil seleção brasileira do técnico Wanderley Luxemburgo. O treinador, com um modelo tático já criado, tenta adaptar atletas criativos e modernos ao que quer. Para sobreviver no País que mais revela craques no mundo, a solução é ter múltiplas funções em campo.
"Não existe mais aquele jogador que fica paradão, esperando a bola no pé, que não costuma também marcar o adversário", explica o atacante Élber, do Bayern de Munique, com a experiência de quem passou longos anos no exterior. Para Élber, o perfil do atleta de Luxemburgo assemelha-se ao do jogador europeu. "Na Europa, onde o futebol é mais duro, não se pode ficar parado, tem de abrir espaço, criar alternativas de jogo."
Élber é dos jogadores importantes no esquema de Luxemburgo. Além de marcar gols, tem a missão de sair da grande área para receber o passe e dar o primeiro combate na saída de bola do adversário para ajudar os companheiros de meio-de-campo. "Acabou o futebol mamão-com-açucar", define. "Todo mundo corre, ataca e defende, um trabalho igual para todos." Élber garante que para jogar no time de Luxemburgo tem de ser versátil.
Ninguém imaginava, mas Zé Roberto, que ganhou fama como lateral-esquerdo, tem vaga garantida no meio-de-campo da seleção. Na sua ausência, outro especialista pela lateral, o vascaíno Felipe, aparece como boa opção no meio. São jogadores que sabem marcar quando a posse de bola é do adversário e têm habilidade para atacar. Sávio, no Real Madrid, não é mais um atacante como sempre foi. É um quarto homem de meio-de-campo pelo lado esquerdo, função que desempenha com sucesso.
É outra boa alternativa para Luxemburgo na seleção.
Roque Júnior apareceu como zagueiro, mas, no Palmeiras de Luiz Felipe Scolari, virou um volante. Na seleção, tem a chance de jogar na zaga. Sabe, contudo, como fazer a saída de bola do time. "Jogo onde o técnico me escalar", responde Felipe, sobre a preferência pela posição, com a concordância natural de todos os demais atletas. "As experiências que faço, agora, são as de adaptar jogadores ao meu desenho tático", justifica Luxemburgo. O esquema serve tanto para a equipe principal como para a olímpica (sub-23).
O exemplo clássico de versatilidade na equipe do Luxemburgo continua sendo o volante Vampeta. Em Amsterdã, perguntado por jornalistas holandeses por que não teve tanto sucesso em sua passagem pelo PSV, de Eindhoven, ele explicou. "Jogava como lateral, fora de minha posição original." Apesar do lamento, foi na Holanda, cujo futebol é admirado por Luxemburgo, que Vampeta aprendeu a ter mais de uma função em campo.
Uma boa escola para jogar sob o comando do treinador brasileiro.


