Paulo Briguet
De Londrina
Quem é Wanderley Luxemburgo? A pergunta não foi feita em nenhuma das entrevistas coletivas da Copa América 99. Pelo que demonstrou durante a competição, Luxemburgo não responderia mesmo. O técnico da Seleção Brasileira revelou-se um mestre da evasiva. Fugiu das perguntas - ao menos, das perguntas consistentes - com a mesma pertinácia do atacante que foge do zagueiro.
Parecia uma contradição: afinal, Luxemburgo instituiu a concentração ‘‘aberta’’, com os jogadores misturando-se normalmente com os hóspedes do hotel.
Na superfície, o técnico era liberal, acessível e boa-praça. No fundo, revelou o contrário. Menos histriônico e ranzinza que o antecessor Zagallo, Luxemburgo tenta ser tão sisudo quanto os ternos que veste. Questionado, torna-se agressivo e irônico. Só responde o que quer - pouquíssimo - e não admite a mínima contestação de autoridade.
Curioso: a mão-de-ferro de Luxemburgo não funcionou quando Ronaldo, em atitude desrespeitosa, desceu aos vestiários após ser substituído. No mundo que mistura Nike e neurolinguística, as contradições também fazem parte do jogo.

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