Áureo Nogueira
De Londrina
‘‘Já tenho a equipe titular na cabeça. Mas só vou revelar nas vésperas do torneio.’’ A declaração é do técnico da Seleção Brasileira, Wanderley Luxemburgo, feita na primeira entrevista coletiva concedida ontem, logo após a chegada da delegação nacional a Londrina.
Apesar de o técnico afirmar que tem o time na cabeça, há pelo menos uma indefinição: o atacante Denílson. É que o presidente do seu clube – o Real Bétis (da Espanha), Miguel Ruiz de Lopera – está pressionando para que o jogador atue em três partidas, pela Copa do Rei e pelo Campeonato Espanhol.
Lopera ameaça rescindir o contrato de imagem de Denílson, além de dizer que o atacante terá de jogar no Numancia ou no Alavés (clubes recém-promovidos à Primeira Divisão espanhola), se não melhorar seu desempenho técnico.
Além de Luxemburgo ninguém da CBF falou do assunto no dia de ontem. Mas o empresário de Denílson, Luís Viana, deve vir hoje a Londrina para tratar do assunto.
Antes de iniciar a entrevista coletiva, Luxemburgo falou da satisfação de retornar a Londrina e lembrou de sua participação no jogo de inauguração do Estádio do Café, no dia 22 de agosto de 1976. ‘‘Foi um jogo entre Londrina e Flamengo. O ponta Paraná ganhou um televisor em cores por ter feito o primeiro gol do Estádio’’, disse. Veja trechos da entrevista:
O Real Betis está pressionando para ter Denilson em três jogos da Copa do Rei e do Campeonato Espanhol no período de preparação e até durante o Pré-Olímpico. Como está essa situação?
Luxemburgo – O Denílson está integrado ao grupo e aqui vai permanecer, por inteiro. O Pré-Olímpico é uma competição oficial da Fifa (Federação Internacional de Futebol Associado) e a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) está apenas exercendo um direito de convocar o jogador. O Pré-Olímpico e as Olimpíadas são muito importantes, tanto para o jogador quanto para o clube. O Betis terá de compreender isso.
Na semana passada o senhor disse que não haveria prêmio em dinheiro para a conquista do ouro olímpico. O Denilson acabou dando declarações divergentes das suas. O senhor já disse que a polêmica foi provocada por uma precipitação. Seria possível o senhor esclarecer o episódio definitivamente?
Luxemburgo – Já esclareci, mas posso esclarecer de novo. A polêmica surgiu porque eu me equivoquei ao fazer uma declaração antes de discutir a questão com os jogadores. Por isso, acabou havendo uma contradição com o Denilson. Mas já falamos sobre isso e a polêmica está encerrada: não vai haver premiação. Nosso maior prêmio será a medalha de ouro em Sidney.
O Brasil é sempre considerado favorito nas competições que participa. Quais são os principais adversários e como o senhor avalia a preparação da Seleção em relação às outras equipes?
Luxemburgo – Admitimos que o Brasil é um dos favoritos. Mas será uma competição muito difícil. São 10 seleções para apenas duas vagas e há pelo menos quatro ou cinco com iguais condições. O Uruguai vem com a equipe-base que disputou a Copa América; a Colômbia tem vários jogadores que já atuam na seleção principal; o Paraguai já demonstrou contra o próprio Brasil que é um time forte; e a Argentina é sempre um difícil adversário. Todas as seleções que disputam essa categoria são equivalentes. Quanto ao Chile, nosso primeiro adversário na fase de classificação, ainda é uma incognita. Mas estamos garimpando informações junto ao técnico Nelsinho Baptista, que trabalhou em Santiago em 99, e o auxiliar Candinho está estudando a seleção chilena.
O senhor já definiu o time titular?
Luxemburgo – A equipe titular já está definida na minha cabeça. Mas só vou anunciá-la nas vésperas da estréia do torneio. Alguma mudança pode ser feita se ocorrer fato significativo.Técnico diz que atacante fica. Time espanhol garante que não. Empresário vem para resolver o assunto
Mario CesarJogadores da seleção brasileira fazem corrida no Estádio VGDMilton DóriaLuxemburgo: time na cabeçaTorcedores lotaram arquibancadas do VGD no treino da Seleção

mockup