Luxemburgo deixa o misticismo de lado
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sexta-feira, 18 de dezembro de 1998
Agência Estado 
Misticismo. Superstição. Essas são duas palavras que Wanderley Luxemburgo está procurando afastar do seu dia-a-dia. O treinador, que sempre se preocupou com o lado espiritual, hoje, como técnico da seleção, faz a apologia do profissionalismo e deixou de conviver com o médium Robério de Ogum. Esse negócio de superstição faz parte do passado, afirmou. O Robério é meu amigo, mas ele tem a religião dele e eu tenho a minha.
Robério de Ogum começou a acompanhar Luxemburgo em 1989. A parceria acabou após as semifinais do Campeonato Paulista deste ano. Eu achei que ele já poderia caminhar com as próprias pernas e sua ida para a seleção era uma coisa natural, disse o médium. Robério, porém, vê com preocupação a fase totalmente agnóstica do treinador.
Ele precisa continuar cuidando do lado espiritual, sob o risco de atrair muitas coisas negativas, afirmou. Segundo Robério, Luxemburgo sempre foi muito supersticioso e é uma pessoa muito forte espiritualmente.
O médium disse que o técnico costuma usar a mesma camisa branca nas decisões e não larga a sua corrente com um pingente, adquirido nos tempos em que ele trabalhou na Arábia Saudita. Além disso, em 1993, Luxemburgo seguiu os conselhos de Robério e fez o Palmeiras trocar as habituais meias verdes pelas brancas, para ganhar o título paulista e sair da fila.
Isso realmente ajudou a nossa conquista, mas foram outros tempos. Hoje, eu troco a camisa e a cueca todos os dias, afirmou.
A grande preocupação atual de Luxemburgo é cuidar da parte emocional dos seus jogadores, auxiliado pela psicóloga Suzy Fleury. Ele dá tanto ênfase a esse trabalho, quanto ao aspecto técnico e físico da equipe. Se você não souber administrar a parte emocional, tudo aquilo que você trabalhou pode se perder em questão de segundos num ato impensado.
A próxima missão de Luxemburgo, no aspecto da mentalização, é convencer os jogadores do Corinthians de que o desgaste do Cruzeiro com a maratona de jogos é insignificante numa decisão de campeonato. O exemplo é a vitória do time mineiro sobre o Palmeiras na primeira partida da decisão da Copa Mercosul. O Palmeiras ficou tanto tempo sem jogar, se preparando, mas a supremacia física não foi demonstrada em campo, afirmou.


