Luxemburgo confessa ansiedade para estréia
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terça-feira, 22 de setembro de 1998
Agência Estado 
Aos 46 anos, campeão várias vezes e tido como uma das poucas unanimidades no País, o técnico Wanderley Luxemburgo confessou: depois de muitos anos voltou a sentir uma rara sensação de ansiedade na véspera de sua estréia como técnico da Seleção Brasileira. Guardadas as devidas proporções, ele se sentia como um dos jogadores que também fazem a sua estréia na Seleção.
É claro que sou mais experiente e sei lidar melhor com esse sentimento, mas reconheço que essa estréia está mexendo comigo. Não vejo a hora de o jogo começar, para que tudo volte ao normal. Apesar da expectativa atípica de uma estréia como técnico da Seleção, Luxemburgo não mudou seus hábitos e muito menos o comportamento. Aparentemente relaxado, cumpriu todas as suas obrigações com extrema paciência e bom humor.
Na entrevista, revelou detalhes sobre seu trabalho junto aos jogadores da Seleção, principalmente aos mais novos. Para tranquilizá-los, disse que o futuro de cada um não será julgado só pelo que for apresentado no jogo de hoje. Não é esse jogo aqui que vai definir o futuro da Seleção. É o treinamento, é o comportamento de cada um. É a forma como cada um se relaciona. É o perfil psicológico. Enfim, é uma série de fatores. Por isso, quero todo mundo tranquilo.
Luxemburgo dedicou especial atenção a dois jogadores - por coincidência, jovens. Um deles, Felipe, que depois de errar três cruzamentos consecutivos, foi chamado pelo treinador. Disse a ele para não esquentar a cabeça porque tinha feito a coisa certa.
O outro jogador com o qual Luxemburgo conversou muito foi o atacante Denílson. Criticado na Espanha por ser muito individualista, o treinador pediu para ele não mudar. Só disse que ele vai poder driblar numa área que não seja de risco no caso de perder a bola.
Sem se aprofundar no assunto esquema tático, Luxemburgo também evitou fazer projeções em relação ao futuro de certos jogadores, como Muller. Ele não quis relacionar o sucesso de seu trabalho na Seleção a uma vitória hoje. Mas reconheceu que vai ter de viver com as cobranças. Podem ter certeza: o primeiro a me cobrar serei eu mesmo.


