A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) contratará um psicólogo para trabalhar na comissão técnica da Seleção Brasileira. A novidade foi anunciada ontem à tarde pelo novo treinador da Seleção, Wanderley Luxemburgo. O psicólogo, cujo nome não foi revelado, orientará os jogadores sobre assuntos como estresse mental, responsabilidade e disciplina, além de identificar problemas que possam estar afetando os convocados.
Junto com o psicólogo, trabalhará um assistente social, que ficará mais dedicado aos atletas das seleções de base.
Além de cuidar dos jogadores da seleção principal, o psicólogo também trabalhará com as seleções de novatos.
‘‘A idéia é a de que o psicólogo e o assistente social possam preparar os jogadores para as categorias de cima’’, afirmou Luxemburgo.
O treinador disse ter sido dele a idéia de ter um especialista em psicologia na comissão técnica. ‘‘Apresentei a idéia ao presidente da CBF (Ricardo Teixeira), que concordou’’, disse ele.
Luxemburgo, 46 anos, rechaçou a afirmação de que o psicólogo desenvolverá trabalho idêntico ao realizado nas duas últimas Copas (Estados Unidos e França) pelo engenheiro Evandro Motta, especialista em auto-ajuda. ‘‘O que Evandro Motta faz é totalmente diferente do que faz um psicólogo’’, afirmou Wanderley Luxemburgo.
A CBF terá no ano que vem duas seleções comandadas por Luxemburgo: uma com os melhores jogadores do país e outra com atletas nascidos a partir de 1977, com idade para disputar os Jogos Olímpicos de 2000.
A seleção principal mesclará jogadores experientes, como Ronaldinho, com jovens em condições de ir à Olimpíada. Para auxiliá-lo na condução das duas seleções, Luxemburgo montou uma estrutura de trabalho inédita na CBF. Os nomes dos integrantes da comissão técnica foram discutidos ontem à tarde sede da CBF, no Rio de Janeiro, em reunião de quase três horas.
Participaram da reunião Luxemburgo, Ricardo Teixeira, o secretário-geral da CBF, Marco Antônio Teixeira, e o preparador físico Marcos Moura Teixeira, sobrinho do presidente da CBF e membro da comissão técnica do Corinthians, onde trabalha com o novo técnico da Seleção.
Só na próxima quinta-feira a CBF pretende divulgar os membros da nova comissão. Segundo Luxemburgo, ainda falta fazer os convites. ‘‘Já escolhi os nomes, mas não avisei aos escolhidos porque queria submeter a escolha ao doutor Ricardo, que a aprovou sem problemas’’, disse Luxemburgo, que evitou citar nomes.
Pelo novo organograma do futebol da CBF, haverá um coordenador técnico, com funções administrativas semelhantes às de um diretor de futebol de clube. Luxemburgo vai obedecer ao coordenador. O treinador terá o auxílio de um consultor técnico, uma espécie de conselheiro experiente, com capacidade para a discussão de táticas.
Observadores - Luxemburgo terá ainda dois assistentes técnicos, que observarão jogos no Brasil e no exterior, estudarão adversários e farão observações táticas. Um auxiliar técnico trabalhará em campo junto com Luxemburgo. Ele vai participar de treinamentos técnicos e táticos.
Completarão a comissão dois preparadores físicos, dois médicos, um fisioterapeuta, um fisiologista, um preparador de goleiros e dois massagistas.
O Brasil disputará quatro amistosos este ano: em 23 de setembro, no Brasil, com adversário ainda não conhecido; em 14 de outubro, no México, contra a seleção local; em 18 de novembro, contra a Rússia, no Brasil; e em 10 de dezembro, no Brasil, contra adversário ainda desconhecido.

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