Luxemburgo alega engano na declaração de imposto
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sábado, 11 de novembro de 2000
Agência Folha Do Rio de Janeiro 
Acusado de crime de sonegação fiscal, o ex-técnico da Seleção Brasileira Wanderley Luxemburgo disse ontem à tarde, em depoimento à juíza da 8ª Vara Criminal Federal do Rio, Valéria Caudi Magalhães, que não teve a intenção de burlar o Fisco. O Wanderley disse que pode ter cometido um equívoco em relação a suas declarações de renda, mas ele deixou claro que não houve a intenção, disse Michel Assef, advogado de Luxemburgo.
O ex-técnico da seleção é acusado pelo Ministério Público de ter praticado crime de sonegação fiscal entre 1993 e 1997. Se for condenado, a pena prevista é de dois a cinco anos de prisão, além de pagamento de multa.
O depoimento do ex-técnico da seleção durou cerca de três horas. No mesmo processo é ré a estudante de direito Renata Carla Moura Alves, que afirma ter trabalhado para Luxemburgo. Ambos foram denunciados por crimes contra a ordem tributária. Ele deve aproximadamente R$ 1,4 milhão à Receita Federal.
Ao sair do prédio da Justiça Federal, Luxemburgo declarou que rediscutiu com a juíza os valores da sua dívida. Os valores citados no processo, protegido por sigilo fiscal, não foram revelados.
Renata alega que participava de leilões públicos para o treinador arrematando bens (imóveis e carros). Ela usaria o dinheiro do ex-técnico para comprar os bens em seu nome, servindo como uma espécie de laranja.
Ontem, era a última chance que Luxemburgo tinha para depor no processo. No mês passado, ele faltou à audiência marcada. Na ocasião, o treinador foi ameaçado de ser julgado à revelia caso não comparecesse ontem à 8ª Vara.
Renata acusa o técnico de participar da venda de jogadores, fato negado por Luxemburgo. Na quinta-feira, Renata depôs na CPI instalada no Senado. Na ocasião, ela, além de confirmar a participação de Luxemburgo em negócios com jogadores, disse que o treinador combinava resultados de jogos.
Recentemente, Luxemburgo foi indiciado pela Polícia Federal sob acusação de ter cometido crime de falsidade ideológica. Ele, que teria 48 anos, usa uma carteira de identidade cuja data de nascimento é 10 de maio de 1955, o que corresponderia a 45 anos de idade. A pena para o crime de falsidade ideológica é de um a cinco anos de prisão. Os agentes da PF localizaram a certidão de batismo do treinador, onde consta que Luxemburgo nasceu em 52.
Troco a Renata Wanderley Luxemburgo, classificou de insano o depoimento de Renata Alves à CPI da CBF/Nike. Ele reclamou do comportamento dos jornalistas que, segundo ele, estão sendo feitos de bobos há três meses por Renata. Ela fala uma série de coisas insanas, um monte de mentiras. Agora, basta. Não posso permitir isso, disse ele.
Luxemburgo afirmou estar à disposição das CPIs. Só que comigo não tem segredo, disse o técnico, referindo-se ao pedido feito por Renata para conceder parte do seu depoimento reservadamente à comissão. Ela nunca deu uma prova. O treinador negou que tenha participado de reuniões com empresários de futebol em uma residência na Barra da Tijuca, um dos bairros nobres do Rio. Na quinta-feira, Renata disse que o treinador se encontrava com empresários em uma casa no bairro.
Como eu seria gênio e conseguiria esconder 65 pessoas do futebol e ninguém saber? Vocês (jornalistas) descobrem tudo o que querem. A minha escalação fica no bolso e vocês descobrem. Luxemburgo disse estar sendo injustiçado como os donos da Escola Base de São Paulo. Em 1994, os donos da escola foram presos acusados de abusar sexualmente dos seus alunos. Ao final das investigações, foram libertados por falta de provas.
O advogado de Luxemburgo, Marcos Malucelli, disse que não há um centavo de remessas de dinheiro do técnico para fora do país.


