Luxa vendia carros comprados por 'laranja'
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quarta-feira, 23 de agosto de 2000
Agência Estado Do Rio de Janeiro 
Os veículos arrematados em leilões pela advogada Renata Carla Moura Alves, que se diz ex-funcionária do técnico da Seleção Brasileira, Wanderley Luxemburgo, eram revendidos na empresa Luxemburgo Veículos, que funcionava no Grajaú, na zona norte do Rio. A informação é da Polícia Federal e do advogado de Renata, Fernando Andrade da Silva.
As negociações de compra e revenda de bens motivaram as investigações sobre possível crime de sonegação de impostos, atribuída ao treinador.
A Luxemburgo Veículos ainda está registrada na Junta Comercial do Rio como empresa ativa, mas não consta, entre seus sócios, o nome do treinador. No endereço antigo, agora está instalada outra agência de carros: a Maison Veículos.
Com procuração de Luxemburgo, Renata costumava frequentar leilões em fóruns nos estados do Rio e do Espírito Santo para adquirir automóveis, objetos de arte e apartamentos, em seu próprio nome. Esses bens, penhorados, eram comprados a preços abaixo do valor de mercado, entre 10% e 30% mais baratos e, depois, renegociados.
Em depoimento à Polícia Federal, Renata afirma que Luxemburgo depositava dinheiro em suas contas correntes para concretizar as negociações.
O lucro seria revertido ao treinador e a Renata cabia uma porcentagem de 10% de cada transação. Andrade da Silva não soube precisar o montante envolvido nas operações. Segundo um leiloeiro que atua na área de Justiça do Rio, não é comum que uma pessoa compre bens com procuração de outras e mantenha o produto adquirido no próprio nome.
Luxemburgo só vai se eximir de um eventual processo se quitar com a Receita Federal supostas dívidas antes de ser denunciado. Ele admitiu que poderia ter problemas com o Fisco e que resolveria a questão rapidamente, pagando o que devesse.
O procurador Arthur Gueiros explicou que a Legislação Tributária não prevê punibilidade para um sonegador se ele sanar suas dívidas antes de uma denúncia. A procuradora Lilian Gulhon Dore vai decidir na próxima semana se denuncia Luxemburgo.
O advogado de Renata disse ainda que sua cliente acredita num acordo com Luxemburgo para não continuar com uma ação trabalhista contra o técnico.
Ela reivindica cerca de R$ 1,5 milhão de indenização, referente a férias, 13º salário e outros encargos que deveriam ter sido pagos à ex-funcionária de Luxemburgo.
A ação teve início após o depoimento de Renata à PF, que teria causado sua demissão. Ela mostrou documentos para provar que atuava como laranja de Luxemburgo. O técnico não quis falar sobre este assunto.


