No início, uma expectativa silenciosa. No meio, uma irritação crescente. No fim, vaias. Esse foi o comportamento dos torcedores que acompanharam ontem, em Foz do Iguaçu, o segundo treinamento coletivo da Seleção Brasileira para o jogo com o Paraguai, dia 18, em Assunção, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2002.
Realizado novamente no Estádio do ABC, pela primeira vez sob sol, mas ainda sob um frio intenso, não mais que dez graus centígrados, o treino de ontem contou com as mesmas escalações do ensaio de terça-feira – e foi aprovado pelo técnico Wanderley Luxemburgo.
O time titular teve Marcos; Cafu, Edmílson, Fábio Luciano e Roberto Carlos; Flávio Conceição, César Sampaio, Zé Roberto e Rivaldo; França e Djalminha. Os reservas – integrados de novo por quatro jogadores do Cataratas, time de Foz que disputa a segunda divisão paranaense – atuaram com Vílson (C); Xanxerê (C), Antônio Carlos, Sílvio (C) e Júnior; Itamar (C), Vampeta, Emerson e Alex; Guilherme e Marques.
Os titulares demonstraram, nos primeiros minutos do coletivo, a mesma falta de criatividade que caracterizou o treino anterior. Rivaldo na armação e Djalminha avançado não rendiam o esperado. Bastou o goleiro Marcos – que cede, a partir de hoje, lugar para Dida, que chega da Itália – fazer uma reposição de bola errada para a equipe sofrer os primeiros apupos da arquibancada. ‘‘Dedurado’’ por um dos seguranças da CBF, um torcedor mais exaltado teve de ouvir alguns ‘‘conselhos’’ de uma dupla de policiais militares.
Nesse clima, o gol de França – de cabeça, numa repetição de cobrança de escanteio por Djalminha – foi recebido com indiferença pelos torcedores. Pouco depois, na até então única jogada bem tramada pelos titulares, Zé Roberto encontrou Djalminha livre na área. A bola, ‘‘açucarada’’, foi chutada para fora.
Foi a senha para os torcedores – cerca de 500 – passarem a torcer para os reservas como num jogo de verdade. Os aplausos vieram quando Marques deixou o lateral Júnior livre para empatar. E foram ainda maiores quando o mesmo Júnior cruzou rasteiro e Alex empurrou para o gol. E transformaram-se em desprezo quando Rivaldo aproveitou rebote da defesa e fez 2 a 2.
‘‘Gostei mais do treino de hoje (ontem)’’, declarou Luxemburgo na entrevista coletiva já no distante Hotel Bourbon, onde a delegação está concentrada. ‘‘O Djalminha, desta vez, conseguiu ficar à frente do goleiro; a tendência é de evolução’’, avaliou o treinador, que parece já ter definido a equipe que enfrenta o Paraguai na próxima terça-feira no Estádio Defensores Del Chaco. ‘‘Se não houver problemas até lá, a tendência é manter essa equipe.’’
As únicas mudanças será, além da volta de Dida ao gol, a entrada de Roque Júnior na defesa. O zagueiro, assim como o goleiro, pertence ao Milan.
Luxemburgo revelou que teve uma conversa com França antes do treino de ontem – e observou melhoras na atuação do atacante do São Paulo. ‘‘Disse ao França que, depois dos gols decisivos que fez pelo São Paulo, ele deixou de ser novidade e os adversários passaram a marcá-lo mais forte. E, com o sucesso, sempre pintam as cobranças da torcida e da imprensa, que isso é natural e ele deve se ajustar a esse novo momento’’, afirmou o treinador. ‘‘É preciso que na Seleção, ele faça as coisas naturalmente.’’
Sofre o fato de as pessoas presentes ao Estádio do ABC terem torcido pelo time reserva, Luxa foi curto e grosso:
– Não percebi nada.

mockup