O dia ontem foi de despedida para um dos maiores goleiros da história do Londrina. Hélio Miguel, o Neneca, campeão paranaense em 1981, faleceu às 3 horas da madrugada de domingo, no Hospital do Câncer de Londrina. Amigos, familiares, ex-companheiros e torcedores do Tubarão prestaram as últimas homenagens durante todo o dia no velório realizado na capela 2 do Cemitério Parque das Oliveiras.
Reconhecido como um dos grandes ídolos da história do Londrina, Neneca, que completou 67 anos no último dia 18 de dezembro, lutava desde setembro do ano passado contra um mieloma múltiplo, doença hematológica maligna que afeta originalmente a medula óssea e se caracteriza pelo aumento do plasmócito, além atingir também os ossos. Amigos e familiares contaram que o ex-goleiro chegou a tomar morfina para livrar-se das dores.
O ex-zagueiro Marinho, campeão mundial com o Flamengo, amigo de infância de Neneca, custava a acreditar na morte do ex-companheiro. "Faz uns seis, sete meses ele ainda estava jogando bola. A gente se encontrava sempre aos finais de semana no ‘Centuriões’, e eu pegava carona com ele. Nem queria vir aqui hoje vê-lo dessa maneira, mas foi um grande amigo. A imagem que vou guardar é do Neneca feliz, tomando uma cervejinha e jogando uma bolinha", fala o ex-jogador.
Sete anos mais novo, Marinho não chegou a jogar com Neneca nos profissionais do Londrina, mas mantinha uma amizade bem próxima e ressalta o espírito de solidariedade do ex-goleiro. "Ele era um cara carinhoso, muita gente não sabe mas o Neneca cansou de ajudar as pessoas do bairro dele, era dono de um coração enorme", frisa o ex-beque.
O filho mais velho do goleiro, André Roberto Martins Miguel, 41 anos, conta que, apesar da gravidade, Neneca estava confiante na cura e lutou muito para seguir vivo. "Ele estava forte, e sempre falava que ia sair dessa, mas a doença tomou uma proporção muito grande", conta. Segundo ele, o pai foi internado na segunda-feira da semana passada, teve alta e voltou a ser internado – já sedado – na sexta-feira. "Já estava difícil até para ele levantar da cama."
"O que nos conforta é que foi plano de Deus. Ele foi um bom pai, um cara dedicado, bom profissional e um cara muito simples. Meu pai não fez faculdade, mas foi um cara conhecido pelo que ele fez. Morei sete anos na França e escutava falar dele lá, e isso é motivo de orgulho para nós", ressalta André.
Fã declarado do ex-camisa 1 do LEC, o torcedor Dirceu Alves Teixeira, relembra uma das noites marcantes de Neneca no Tubarão. "Tive oportunidade de vê-lo num jogo com o Cruzeiro, que ele pegou um pênalti e de tão emocionado tirei a camisa e joguei no chão, em cima de uma bituca de cigarro, queimou a camisa, mas tenho ela guardada até hoje. É um dia que vou guardar pra sempre", diz. "Vai ficar a saudade de um grande jogador, um cara que honrou a camisa do Londrina", completa Marcos Reis, o Migrão.
Neneca teve ao todo sete filhos – um deles já falecido – com três mulheres diferentes. O sepultamento está marcado para as 10h30 de hoje, no Cemitério Padre Anchieta.

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