O atalho para os jovens começarem a praticar uma modalidade esportiva é o ídolo. Os garotos que estão dando seus primeiros chutes se espelham em Neymar. Para os pequenos ginastas, a referência do momento é Arthur Zanetti. Quem está iniciando na natação se inspira em Cesar Cielo. Sendo assim, fica a dúvida: o que leva um menino a praticar um esporte pouco difundido no seu país e que por enquanto não tem grandes ídolos nacionais?
Das 13 modalidades que estão sendo disputadas na etapa para atletas entre 12 e 14 anos dos Jogos Escolares da Juventude, que está sendo realizada em Londrina, talvez a menos conhecida seja a luta olímpica. Entretanto, a julgar pela paixão dos muitos meninos e meninas que participaram da competição no Centro de Eventos, entre sexta-feira e ontem, está plantada uma semente que pode gerar resultados em breve.
João Ricardo Nascimento Souza, de 13 anos, de João Pessoa (PB), estava em sua primeira disputa nacional. Pratica luta olímpica há dois anos. "Eu treinava judô e o professor me convidou. Pratico judô, luta olímpica e jiu-jítsu. Meu sonho é ser atleta de alguma dessas modalidades", conta o adolescente.
O próprio treinador de João Ricardo, Renato Fonseca Vieira, é um principiante na luta olímpica: ele dava aulas de judô quando participou de um "aulão" em 2008 para se tornar técnico da modalidade. "Hoje, temos entre 30 e 40 meninos treinando na nossa academia", relata. "Nós estamos tendo uma grande ajuda do COB (que incluiu a luta olímpica nos Jogos Escolares em 2012). Está sendo um espetáculo, o esporte tem ajudado muito esses meninos."
No Amazonas, a modalidade tem encontrado terreno fértil para se expandir. O técnico Waldeci Silva de Souza conta que vários jovens com idade entre seis e 17 anos treinam na Vila Olímpica de Manaus. Como resultado, os amazonenses dominam as categorias de base da luta olímpica nacional.
"Os meninos buscam pela divulgação, pelos resultados. Quando você leva um menino para uma competição nacional, ele se torna uma celebridade na rua dele, no bairro, na escola. O amigo quer saber mais e vem treinar também. E o Amazonas já era uma referência em outras lutas", diz o treinador. Ele acredita que dentro dos próximos anos o Brasil vai colher resultados internacionais expressivos na modalidade. "Tem uma molecada muito boa vindo aí", garante.
Cristian Leite, de 13 anos, é uma dessas apostas. Ele morava em Itacoatiara, no interior do Amazonas, e se mudou para Manaus para treinar na Vila Olímpica. "Penso em ajudar minha família fazendo o que eu gosto", planeja.

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